Essência
A vida cristã autêntica é marcada por uma vocação recebida do próprio Cristo, que nos chama a viver como membros do Seu corpo, segundo a vontade do Cabeça. Essa vocação não é fruto de mérito próprio, mas da graça e misericórdia de Deus, que nos torna prisioneiros de Sua vontade e cooperadores em Seu ministério. A graça que nos salvou é a mesma que nos capacita diariamente para servir, e o segredo para não tornar essa graça vã está em andar dignamente, em sincero amor ao Senhor Jesus Cristo.
O ponto de partida
A reflexão nasce da importância do corpo de Cristo e do entendimento de que Deus colocou cada membro como quis, conforme 1 Coríntios 12:18. O querer não vem dos membros, mas do Cabeça, que é Cristo. O texto-base é Efésios 4:1, onde Paulo se apresenta como prisioneiro do Senhor, chamando todos a viverem de acordo com a dignidade da vocação recebida.
Desenvolvimento da Palavra
Prisioneiros da Vontade do Senhor
O querer do Senhor Jesus é que cada um ande com dignidade, conforme a vocação com que foi chamado. Essa dignidade não é própria, mas compartilhada por Cristo. Para exercer a vocação e o ministério, é essencial ser uma pessoa entregue, como Paulo, que se declara “preso do Senhor”. Estar preso no Senhor significa estar preso à vocação, sem outra prioridade neste mundo além de desenvolvê-la. Cada membro que coopera com o querer de Deus será recompensado quando o Senhor voltar, pois só vence quem corre a carreira proposta.
Ser prisioneiro do Senhor é um estilo de vida, não apenas uma informação. Paulo não andava por vontade própria, mas estava atado à vontade de Deus. O mistério da vontade de Deus, revelado em Efésios 1:9, prende o cristão à obediência. Essa revelação transforma o discípulo em prisioneiro da vontade divina, e não há motivo para desejar liberdade disso, mas sim para se prender ainda mais, pois é um privilégio estar aprisionado pela revelação do mistério da vontade de Deus.
A Graça que Sustenta a Vocação
O segundo segredo essencial para desenvolver o serviço e a vocação está em Efésios 4:7: “a graça foi dada a cada um de nós segundo a medida do dom de Cristo”. Não apenas a salvação é pela graça, mas também o ministério. A graça continua sendo dispensada, revelando as medidas de Cristo na vida de cada um. Ela é viva e operante, ensinando como viver e permitindo que Cristo realize a obra para a qual fomos chamados.
A graça não deve ser recebida em vão. Em 2 Coríntios 6:1, Paulo exorta a cooperar com Cristo, para que a graça não seja vã. O ministério é desenvolvido pela graça, e cada dom está encerrado debaixo dela. Paulo reconhece, em 1 Coríntios 15:10, que tudo o que é, é pela graça de Deus, e que essa graça não foi vã em sua vida, pois trabalhou mais do que todos, mas não por si mesmo, e sim pela graça que estava com ele.
A graça não opera apenas na salvação, mas diariamente, capacitando para o serviço divino. Quando cada um serve segundo a medida da graça recebida, há edificação e o andar da igreja se torna digno da vocação. O segredo está em não esperar cargos ou títulos, mas funcionar na medida da graça, permitindo que ela produza frutos.
Misericórdia, Graça e o Ministério
A constituição do ministério é um ato da misericórdia de Deus, como visto em 2 Coríntios 4:1. O desenvolvimento do ministério, porém, depende da graça. Paulo diferencia suas saudações: às igrejas, deseja graça e paz; aos ministros, acrescenta misericórdia (1 Timóteo 1:2), lembrando que o ministério é fruto da misericórdia divina. Essa consciência gera mansidão e compaixão, pois tudo é recebido do Senhor.
O ministério tem o fundamento da misericórdia, mas atua no poder da graça. Paulo encerra Efésios desejando graça a todos que amam o Senhor Jesus Cristo em sinceridade (Efésios 6:24), e João, em Apocalipse 22:21, termina com a mesma bênção, relacionando-a à vinda do Senhor. A graça é o que sustenta o serviço até o fim, garantindo que o trabalho não será vão, pois é a graça que opera em cada um até a volta de Cristo.
A exortação final é para que cada membro se apresente e obedeça ao Cabeça, para que a graça não seja vã, mas siga avante, edificando o corpo de Cristo e glorificando Jesus.
Para guardar
- Ser prisioneiro do Senhor é estar atado à vontade de Deus, vivendo para Sua vocação.
- O ministério e a vocação são sustentados diariamente pela graça, não apenas pela salvação.
- A graça não deve ser recebida em vão, mas manifestada em cooperação e serviço sincero.