Essência
A vocação do cristão é revelada como um chamado coletivo à unidade, santidade e manifestação da imagem de Cristo. Deus, que antes estava oculto como um tesouro por trás de cortinas, revelou Seu propósito eterno em Cristo, chamando muitos filhos à glória. Essa revelação não é apenas para ser contemplada, mas vivida de forma prática, em amor, humildade e unidade, para que o mundo veja a glória de Deus refletida em Seu povo.
O ponto de partida
O ponto de partida está na revelação progressiva de Deus nos capítulos iniciais de Efésios, onde o apóstolo Paulo ora para que os crentes recebam espírito de sabedoria e revelação, compreendendo não só quem Deus é, mas o que Ele fez em Cristo. A partir desse entendimento, surge o chamado para andar de modo digno da vocação recebida, expressando na terra o que foi revelado no céu.
Desenvolvimento da Palavra
O Mistério Revelado e a Unidade do Corpo
O propósito eterno de Deus esteve oculto, como um tesouro escondido atrás das cortinas do tabernáculo, mas agora é revelado em Cristo. Deus deseja uma família, muitos filhos semelhantes ao Seu Filho, e essa vocação é coletiva. Não existe espaço para individualismo na edificação da igreja; tudo o que Deus faz e manifesta é no corpo, na unidade. A perfeição de Deus está no “um”: o Pai, o Filho e o Espírito são um, e assim também deve ser a igreja.
A unidade é o primeiro ponto prático após a revelação do mistério. O exemplo do tabernáculo, onde tudo foi entrelaçado e unido para que fosse um, ilustra o desejo de Deus por um povo unido. A manifestação do poder de Deus, o mesmo poder da ressurreição de Cristo, só acontece no coletivo, nunca no individual. A igreja dividida não revela sabedoria, mas tolice, pois a verdadeira sabedoria de Deus é expressa na unidade do Seu povo.
Da Revelação à Prática: Andar Digno da Vocação
A experiência dos discípulos no monte da transfiguração (Lucas 9:28-43) mostra que, mesmo após contemplar a glória de Cristo, é necessário descer e viver essa revelação na terra. A glória contemplada precisa ser traduzida em fé viva e prática, pois o poder de Deus opera naqueles que creem. A incredulidade compromete a unidade e impede a manifestação do poder de Deus.
O exemplo de Abraão (Gênesis 22:15-18) revela que o propósito de Deus não era apenas um filho, mas muitos filhos, uma multidão de nações. Isaac era apenas uma figura; a verdadeira semente é Cristo, e em Cristo somos feitos família de Deus. O propósito eterno é que muitos filhos sejam levados à glória (Hebreus 2:10), conformados à imagem do Filho, santos e irrepreensíveis.
A vocação do cristão é ser filho de Deus, parte de uma família santa e unida. Tudo o que não é santo compromete a unidade, pois o pecado e a carne sempre se opõem ao propósito de Deus. A glória de Deus só permanece onde há santidade. Por isso, a vida digna da vocação é marcada por humildade, mansidão, longanimidade e amor que suporta, como Cristo suportou na cruz.
O Amor, a Santidade e o Andar Coletivo
O amor é o mais alto nível de santidade. Não se trata de cumplicidade com o pecado, mas de suportar em verdade, como ensina 1 Coríntios 13. O amor tudo suporta, tudo crê, tudo espera, tudo sofre. É o amor que mantém a unidade e revela Cristo no corpo. Humildade, mansidão e longanimidade são expressões práticas dessa revelação de Cristo em nós.
Andar digno da vocação é andar junto, nunca sozinho. O poder de Deus se manifesta na unidade. A vocação é ser a imagem de Cristo, um filho coletivo, como ensina Romanos 8:29. Deus não trabalha com o único, mas com muitos filhos conformados à imagem do Filho. A vocação tem três partes: ser a imagem do Filho, ser santo como Ele é santo (1 Pedro 1:13-17) e ser glorificado (1 João 2:28–3:3). A glorificação é futura, mas exige santificação presente.
Jesus é o modelo de como andar: Ele guardou os mandamentos do Pai, andou em amor e unidade, não fazia nada de si mesmo, mas em obediência. Quem diz que está em Cristo deve andar como Ele andou (1 João 2:6). A maior chamada é obedecer, não realizar obras por conta própria. A oração de Jesus em João 17 revela o desejo de unidade perfeita, para que o mundo creia e veja a glória de Deus.
A plenitude de Deus será revelada quando o amor de Cristo habitar em nós, formando Cristo no corpo da igreja. A exortação final é para prosseguir para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo (Filipenses 3:14), correndo de tal maneira que se alcance o prêmio, submetendo o corpo à servidão para não ser reprovado (1 Coríntios 9:19-27).
Nossa resposta ao Senhor
A resposta é viver na terra o que foi revelado no céu: andar dignamente da vocação, em unidade, santidade e amor, como filhos de Deus, conformados à imagem de Cristo. É necessário prosseguir para o alvo, não perder tempo, mas buscar a plenitude da vocação, para que Cristo seja formado e manifestado em nós coletivamente.
Para guardar
- A unidade do corpo é indispensável para a manifestação do poder de Deus.
- O amor verdadeiro suporta, santifica e mantém a glória de Deus entre nós.
- A vocação cristã é coletiva: ser filhos, santos e um só em Cristo.