Essência
A vocação do cristão é um chamado para viver a plenitude de Cristo, fundamentada na unidade do Espírito, humildade e amor. O propósito é crescer até alcançar a estatura completa de Cristo, sendo edificados como um só corpo, ajustados e ligados em amor, para que a glória de Deus se manifeste em cada membro. A verdadeira edificação não está em doutrinas humanas, mas na vida e no conhecimento do Filho de Deus, que nos conduz à maturidade espiritual e à expressão plena da vontade divina.
O ponto de partida
A reflexão nasce do reconhecimento da bondade e amor do Senhor, revelados à medida que se aprofunda na Palavra. Efésios 4 é apresentado como a realidade da vocação cristã, o mistério da vontade de Deus realizado em Cristo, que nos predestinou para sermos filhos por adoção e nos chama a andar dignamente segundo essa vocação.
Desenvolvimento da Palavra
O Caminho da Unidade e da Humildade
A vocação é apresentada como uma chamada inerente à nova natureza recebida em Cristo. Assim como alguém nasce com uma inclinação natural, a igreja nasce de Deus com uma vocação divina que não muda. Essa vocação é fundamentada na participação da natureza divina, tornando os filhos de Deus participantes de sua essência por meio da adoção. O chamado é para andar dignamente, com os pés na terra e o coração no céu, tendo Cristo como cabeça.
O “andar” mencionado em Efésios 4 sugere um caminho com uma meta clara: alcançar a unidade da fé e o pleno conhecimento do Filho de Deus, até atingir a medida da estatura completa de Cristo. O caminho é Cristo, e a meta é o conhecimento de Cristo. Para isso, o primeiro requisito é a unidade, que não se trata de levantar uma bandeira, mas de trilhar um caminho prático de humildade, mansidão, longanimidade e amor.
A humildade é destacada como um caráter essencial, exemplificada por Cristo, que desceu às profundezas da humilhação para depois subir acima de todos os céus e encher todas as coisas. Assim, a glória da criatura é ser um vaso vazio para que o Criador habite e encha. Ser prisioneiro do Senhor é condição para ser guiado por Ele, permitindo que a graça conduza cada passo rumo à meta da vocação.
A unidade do Espírito é explicada como resultado de ser um só Espírito com o Senhor, obra realizada pelo Espírito Santo no novo nascimento. Só quem nasceu de novo pode ser unido ao Senhor e participar dessa unidade. O Salmo 86:11 é citado para mostrar que andar na verdade depende de ter o coração unido ao temor do nome do Senhor.
Fundamentos da Vocação e Crescimento em Cristo
A vocação está fundamentada em um só corpo, um só Espírito, uma só esperança, um só Senhor, uma só fé, um só batismo e um só Deus e Pai de todos. Esses fundamentos unem todos os que estão em Cristo, pois tudo é por Ele e para Ele. O apóstolo Paulo é citado como exemplo de alguém que, antes, trabalhava para quebrar a unidade dos santos, mas, pela graça, passou a trabalhar para consolidar essa unidade, levando os crentes à maturidade em Cristo.
Cristo, ao subir ao alto, levou cativo o cativeiro e deu dons aos homens, manifestando a graça através do corpo. Os dons ministeriais — apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres — são dados para o aperfeiçoamento dos santos, visando a edificação do corpo de Cristo até que todos cheguem à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, tornando-se um varão perfeito.
A edificação do corpo não se baseia em doutrinas humanas, mas na fé em Cristo, fundamento lançado pelos apóstolos. A unidade da fé não é uniformidade de entendimento doutrinário, mas crescimento na vida de Cristo. A maturidade impede que sejamos meninos inconstantes, levados por ventos de doutrina e enganos humanos. O foco deve ser sempre Cristo, não assuntos periféricos.
A Prática da Edificação e o Alvo da Plenitude
A prática da vida da igreja é descrita como um corpo bem ajustado e ligado pelo auxílio de todas as juntas, onde cada parte opera para o aumento e edificação do corpo em amor. A edificação é vivida localmente, entre os irmãos unidos pelo Senhor, e tem como propósito levar todos ao pleno conhecimento de Cristo.
Colossenses 2 é usado para reforçar que a verdadeira edificação está em Cristo, não em filosofias ou tradições humanas. A plenitude da divindade habita em Cristo, e nEle estamos completos. Buscar perfeição por outros meios é desvio do propósito de Deus. A circuncisão espiritual, o batismo e a fé são realidades vividas em Cristo, não em ordenanças externas.
O corpo de Cristo cresce à medida que cada membro coopera, trazendo o conhecimento do Filho de Deus para que todos alcancem a maturidade. A solidez está em Cristo, não em sombras ou aparências de sabedoria. A verdadeira humildade e disciplina são frutos da ligação com a cabeça, Cristo, e não de práticas humanas.
A vocação é, portanto, ser um prisioneiro de Jesus Cristo, permitindo que Ele encha cada um com a graça e capacidade para servir e cooperar no crescimento do corpo. O alvo é ser um varão perfeito, à imagem do Filho de Deus, caminhando juntos até a plena estatura de Cristo, para glória de Deus e edificação do corpo.
Nossa resposta ao Senhor
A resposta é render-se à vocação celestial, permitindo que Cristo encha cada área da vida, focando nEle e cooperando para o crescimento do corpo. O chamado é para maturidade, para ser um vaso vazio que recebe a plenitude de Cristo, vivendo em unidade, amor e fé, até alcançar a imagem do Filho de Deus.
Para guardar
- A unidade do Espírito é vivida em Cristo, não em uniformidade doutrinária.
- O crescimento espiritual visa a maturidade, até a estatura completa de Cristo.
- A verdadeira edificação do corpo acontece quando cada membro coopera em amor, focando no conhecimento do Filho de Deus.