Essência
A centralidade da vida cristã está em conhecer e se relacionar com o Senhor como o Amado, aquele que nos atrai com misericórdia e graça. A cada experiência, somos convidados a aprofundar nossa percepção dos atributos de Deus, respondendo com entrega, devoção e tempo de qualidade. O relacionamento entre Cristo e a Igreja é comparado ao casamento, marcado por aliança, preparação e encontro, onde o Senhor se revela sensível, amoroso e digno de toda honra. A resposta adequada é uma vida de antecipação, entrega total e zelo, aguardando o dia em que veremos o Amado face a face.
O ponto de partida
Após um período de ausência por motivos de trabalho, o coração permanece ligado à comunhão dos irmãos. O texto de Cantares 5:9 surge como ponto de reflexão: “O que é o teu amado mais do que o outro amado?”. A motivação é levar cada um a considerar quem é o Amado em sua vida, mais do que qualquer outro, e a experimentar os atributos eternos do Senhor.
Desenvolvimento da Palavra
Conhecendo os Atributos do Amado
A vida cristã é um contínuo conhecer do Senhor e de seus atributos. A eternidade será dedicada a esse conhecimento crescente. Em reuniões de oração, listar os atributos de Deus, do Filho e do Espírito traz glória e edificação, pois cada experiência revela um aspecto novo do Amado. Adão e Eva, inicialmente, conheciam a soberania de Deus, mas após o pecado, experimentaram sua misericórdia e graça, quando o Senhor os cobriu com túnicas de peles (Gênesis 3:21). Assim, mesmo em meio ao erro, Deus revela atributos antes desconhecidos, como o amor sacrificial e a provisão do Cordeiro.
A expectativa da eternidade é marcada pela certeza de que veremos e conheceremos ainda mais profundamente o Senhor. Ilustrações familiares, como a de uma filha ansiosa para reencontrar uma irmã na eternidade, expressam o anseio de contemplar o Amado acima de tudo. A promessa é que “os olhos não viram, os ouvidos não ouviram, nem subiu ao coração do homem o que Deus tem preparado”. Perseverar até o fim vale a pena, pois veremos a face daquele que tanto nos amou.
Atraídos pela Graça e Misericórdia
O livro de Cantares expressa a relação entre Cristo e a Igreja, onde a noiva é atraída pelo Amado. O Senhor nos atraiu primeiro; não fomos nós que o buscamos, mas Ele que nos encontrou. O primeiro milagre público de Jesus, nas bodas de Caná (João 2), manifesta sua glória e graça, transformando tristeza em alegria e oferecendo o melhor vinho gratuitamente. O casamento é exaltado como símbolo da aliança entre Cristo e a Igreja, e a presença de Jesus é essencial para que tudo seja glorioso.
A diferença entre misericórdia e graça é ilustrada: misericórdia é não receber a condenação merecida; graça é receber bênçãos imerecidas. O testemunho pessoal do ministro exemplifica essas verdades: ao ouvir audivelmente “o salário do pecado é a morte” (Romanos 6:23) em um momento de afastamento, experimenta a misericórdia de Deus ao ser poupado do mal. Dias depois, ao ouvir “mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus”, experimenta a graça, sendo transportado do império das trevas para o reino do Filho. O Espírito Santo é quem atrai, convence e revela Jesus, respondendo às orações persistentes dos pais e da igreja.
Entrega Total e Antecipação ao Amado
A entrega ao Senhor é exemplificada pela mulher que ungiu Jesus com um vaso de alabastro de grande valor. Ela deu tudo ao Amado, contrariando costumes e críticas, pois só tinha olhos para Ele. A verdadeira devoção não se limita ao tempo integral de serviço, mas ao coração integralmente entregue. Os discípulos, mesmo próximos, não demonstraram a mesma entrega e revelação que aquela mulher, que se antecipou a ungir Jesus para a sepultura, realizando um ato de amor no momento certo.
A antecipação é obra do Espírito, diferente da precipitação, que é obra da carne. Antecipar-se é agir segundo a vontade de Deus, não deixando oportunidades passarem. O Senhor valoriza o tempo de qualidade, mais do que presentes, ações de serviço ou palavras. O relacionamento com Deus é como o de um pai e filho, onde o maior prazer está na presença e comunhão.
O casamento judaico, com suas três fases — escolha (Shidurrim), preparação (Erosim) e bodas (Nissuin) —, ilustra a relação entre Cristo e a Igreja. O noivo prepara o lugar, a noiva se adorna e aguarda, e o reencontro é marcado por alegria e celebração. Assim, a Igreja vive em expectativa, adornando-se e aguardando o retorno do Amado, que virá ao comando do Pai.
O Amado Bate à Porta: Sensibilidade e Convite
O Senhor se revela sensível e amoroso, não invadindo, mas batendo à porta e esperando ser recebido (Apocalipse 3:19-20). Ele deseja cear, ter tempo de qualidade e comunhão íntima. Em contraste, o inimigo age como ladrão, destruindo e invadindo sem permissão. Jesus, porém, é gentil, cuidadoso e digno de confiança. O apelo é para que cada um abra a porta do coração, permitindo que o Amado entre e transforme tudo com sua presença.
Nossa resposta ao Senhor
A resposta ao Amado é buscar conhecê-lo mais, entregar o coração integralmente, antecipar-se em amor e zelo, e manter-se em oração e comunhão. O desejo é que o amor não se esfrie, mas permaneça ardente até o dia da vinda do Senhor, sustentados por sua graça e misericórdia.
Para guardar
- Conhecer os atributos do Senhor é um convite à eternidade.
- Misericórdia e graça se complementam na experiência com Deus.
- O Senhor valoriza o tempo de qualidade e a entrega total do coração.