Essência

A consciência de que vivemos os dias finais não deve gerar pânico, mas regozijo e compromisso renovado com a comunhão, a santificação e o amor sacrificial entre os irmãos. O Senhor está às portas, e a expectativa de sua vinda exige uma vida de obediência, serviço e unidade, fundamentada no valor inestimável da obra de Cristo, que nos reuniu em um só corpo. A santificação e a paz com todos são inseparáveis, e o zelo mútuo é essencial para que ninguém se prive da graça de Deus.

O ponto de partida

O temor de falar segundo a vontade de Deus leva à dependência do Espírito Santo. A percepção de que vivemos os dias finais é confirmada não só pela Palavra, mas até por observações do mundo, como o chamado “relógio do juízo final” dos cientistas, que aponta para a iminência do fim. Diante disso, a igreja é chamada a exultar, pois a redenção está próxima, e a expectativa do Senhor deve produzir alegria, temor e serviço.

Desenvolvimento da Palavra

O Fim dos Tempos e a Postura da Igreja

A proximidade do fim é perceptível até para quem não conhece a Deus, mas para os que têm o Espírito e conhecem a Palavra, essa consciência deve gerar alegria e preparação. Em Lucas 21, o Senhor descreve sinais visíveis nos céus e angústia entre as nações, mas orienta os seus a olharem para cima e exultarem, pois a redenção está próxima. A diferença entre o mundo e a igreja está na reação: enquanto o mundo desmaia de terror, os filhos de Deus se alegram, pois aguardam a manifestação gloriosa de Cristo.

A expectativa da vinda do Senhor deve produzir em cada um disposição, temor e serviço. Não se trata de pânico, mas de viver para o dia do Senhor, esperando-o com alegria e santidade. Hebreus 10 reforça a necessidade de estimularmos uns aos outros ao amor e às boas obras, não deixando de congregar, especialmente à medida que o Dia se aproxima. O relacionamento com Deus não pode ser separado do relacionamento com os irmãos; servir e adorar a Deus exige compromisso com a igreja.

Comunhão, Compromisso e o Valor da Igreja

O encontro de Saulo com Cristo no caminho de Damasco revela que perseguir a igreja é perseguir o próprio Senhor, pois Ele e a igreja são um. A primeira pessoa que Saulo vê após recuperar a visão é um irmão, mostrando que a revelação de Cristo conduz imediatamente à comunhão. Não há serviço a Deus sem considerar os irmãos; crescer em santidade implica crescer em comunhão e compromisso.

O elo que une os irmãos não são gostos ou afinidades, mas Cristo. O amor entre os irmãos deve ser mais ardente nos dias finais. Hebreus 12:14 destaca a necessidade de seguir a paz com todos e a santificação, dimensões inseparáveis do relacionamento espiritual. Não é possível buscar a Deus isoladamente, pois Ele se revela no meio do seu povo. A comunhão verdadeira exige comprometimento, não apenas envolvimento superficial.

A ilustração do “mexidão de ovo com linguiça” mostra que o envolvimento é diferente do compromisso: enquanto a galinha se envolve, o porco se entrega totalmente. Assim deve ser o compromisso dos irmãos, dispostos até a sofrer uns pelos outros, como Paulo, que suportava tudo por amor dos escolhidos, visando a salvação com glória eterna. O amor sacrificial é o padrão de Cristo, que se entregou por nós.

Santificação, Zelo Mútuo e Perigos à Comunhão

A santificação é um processo contínuo, iniciado na justificação e desenvolvido na comunhão com os irmãos. Não é possível crescer em santificação isoladamente; é na convivência, no perdão, no suportar e amar o diferente que a obra de Deus avança. O Senhor coloca cada um ao lado de irmãos específicos, em funções determinadas, para tratar e amadurecer o seu povo.

Hebreus 12 apresenta três exortações para que a santificação tenha eficácia: primeiro, cuidar para que ninguém se prive da graça de Deus. Esse zelo não é exclusivo dos líderes, mas de toda a igreja, que deve supervisionar e zelar uns pelos outros. Ser privado da graça é uma tragédia, pois ela é imprescindível para permanecer em Cristo.

A segunda exortação é evitar que alguma raiz de amargura brote e contamine muitos. Raiz de amargura inclui pecados com a língua, idolatria, avareza, interesses temporais, modos de pensar carnais e comportamentos que podem ser tropeço para outros. O estilo de vida de um pode contaminar o outro, por isso é necessário abrir mão de direitos e preferências por amor aos irmãos.

A terceira exortação é que ninguém seja fornicador ou profano como Esaú, que desprezou seu direito de primogenitura por algo passageiro. O perigo da apostasia é real, e a perseverança na comunhão e na santificação é fundamental. A vida cristã é de separação e consagração ao Senhor, não podendo ser dividida entre o mundo e Deus.

A esperança do crente é ser semelhante a Cristo e vê-lo como Ele é. A ordem é seguir a paz com todos e a santificação, sem as quais ninguém verá o Senhor. O processo é contínuo, sem férias ou estagnação, e exige entrega, renúncia e busca constante da satisfação em Deus.

Para guardar

  • A expectativa da vinda do Senhor deve gerar alegria, temor e serviço.
  • Santificação e comunhão com os irmãos são inseparáveis e essenciais.
  • O zelo mútuo impede que raízes de amargura contaminem a igreja.