Essência
A vida cristã autêntica é marcada por uma profunda reverência a Deus, expressa em submissão mútua, adoração e ações de graças. O temor do Senhor, longe de ser apenas um conceito do Antigo Testamento, é essencial para a igreja viver cheia do Espírito Santo, manter a unidade e experimentar a glória e a amizade de Deus. Sem esse temor, a igreja perde sua direção, sua santidade e a presença manifesta do Senhor.
O ponto de partida
O ponto de partida está na exortação de Efésios 5:18-21, que chama os cristãos a se encherem do Espírito, falando entre si com salmos, hinos e cânticos espirituais, dando graças a Deus e sujeitando-se uns aos outros no temor do Senhor. A motivação é viver a vida normal do cristão: uma vida de adoração, louvor e gratidão, reconhecendo que tudo vem de Deus, o Criador.
Desenvolvimento da Palavra
O Temor de Deus e a Submissão no Corpo de Cristo
A ordem de submissão no corpo de Cristo é fundamentada no temor de Deus. Assim como Eva deveria ter respeitado a missão de Adão, a igreja hoje é chamada a viver em submissão a Cristo, seu cabeça. O Espírito Santo, ao batizar os crentes em um só corpo, também os batiza no temor do Senhor, tornando impossível separar a plenitude do Espírito da reverência a Deus. O temor está intrinsecamente ligado à santidade divina, sendo a expressão máxima da glória de Deus. Uma igreja cheia do Espírito manifesta essa santidade e vive em ordem, com cada membro submisso uns aos outros, preservando a glória do Senhor.
O apóstolo Paulo, ao instruir sobre a submissão, aponta para a realidade espiritual: o relacionamento entre marido e mulher é apenas uma representação da submissão da igreja a Cristo. O Espírito Santo, ao formar o corpo, conduz cada membro a viver debaixo do governo do cabeça, Cristo, e a praticar a submissão mútua no temor de Deus. Essa submissão não é apenas uma formalidade, mas uma virtude produzida pelo próprio Espírito, que leva à reverência, glorificação e participação na santidade do Senhor.
O Temor de Deus no Novo e no Antigo Pacto
O temor de Deus não é uma exigência menor no Novo Testamento do que no Antigo. Pelo contrário, a graça exige ainda mais reverência. Hebreus 10 mostra que, se a desobediência à lei de Moisés era punida severamente, quanto maior será a responsabilidade de quem despreza a graça de Deus e o sangue de Cristo. Hebreus 2 reforça a necessidade de diligência e atenção à salvação anunciada por Cristo, confirmada pelo Espírito Santo. Assim, o temor de Deus é fundamental para não cairmos na rebeldia e insubmissão, mas permanecermos submissos uns aos outros no corpo de Cristo.
O Antigo Testamento está repleto de referências ao temor do Senhor, como em Provérbios, Jó e Eclesiastes. No entanto, no Novo Testamento, a contundência sobre o temor é ainda maior, pois é pelo temor que a igreja conserva a glória de Deus. Exemplos como o de Davi ao buscar a arca mostram que a ausência de temor pode levar à perda da presença de Deus. O caminho para restaurar essa presença passa pela humilhação, reconhecimento do pecado e busca sincera pela reconciliação com Deus.
O Caminho da Igreja: Temor, Unidade e Amizade com Deus
A igreja primitiva, após o Pentecostes, viveu uma vida marcada pelo temor do Senhor. Atos 2 descreve como, após serem cheios do Espírito Santo, os crentes perseveravam na doutrina, comunhão, partir do pão e orações, e “em toda a alma havia temor”. Esse temor resultava em maravilhas, sinais e unidade entre os irmãos. A perda do temor leva à negligência da Palavra, da comunhão e da oração, abrindo espaço para ideias e práticas que não estão alinhadas com a vontade de Deus.
O temor de Deus é também o caminho para a amizade com o Senhor. O exemplo de Abraão, que ofereceu Isaac em obediência, mostra que a fé é aperfeiçoada pelo temor, levando à obediência radical e à intimidade com Deus. Tiago destaca que as obras de Abraão aperfeiçoaram sua fé, e ele foi chamado amigo de Deus. O segredo do Senhor é para os que o temem, e a intimidade com Deus é reservada àqueles que vivem em reverência e submissão.
A edificação da igreja depende desse temor. Atos 9:31 mostra que as igrejas andavam no temor do Senhor e na consolação do Espírito Santo, experimentando paz, crescimento e edificação. O temor preserva a unidade e a santidade do corpo de Cristo, enquanto a ausência dele pode trazer juízo, como no caso de Ananias e Safira, que mentiram ao Espírito Santo e morreram, gerando grande temor em toda a igreja.
A vida gloriosa da igreja depende de buscar o enchimento do Espírito Santo e cultivar o temor do Senhor, levando à submissão mútua, à santidade e à amizade profunda com Deus. O temor não apenas impede o pecado, mas também produz frutos e uma entrega total para a glória do Senhor.
Para guardar
- O temor do Senhor é essencial para a submissão mútua e a unidade no corpo de Cristo.
- A plenitude do Espírito Santo traz consigo o temor de Deus, preservando a santidade e a glória da igreja.
- A amizade e a intimidade com Deus são reservadas àqueles que vivem em reverência e obediência ao Senhor.