Essência

A vida cristã e a obra de Deus não se realizam por esforço humano, mas unicamente pelo Espírito do Senhor. O tempo presente exige sensibilidade e obediência à voz do Espírito, que conduz a igreja e cada crente ao propósito eterno de Deus. A proximidade da vinda de Cristo chama à vigilância, à devoção e à renúncia de toda distração mundana, para que a vida do Espírito seja plena em nós.

O ponto de partida

A iminência da vinda do Senhor é motivo de alegria e expectativa. Enquanto aguardamos esse chamado, permanece a responsabilidade de batalhar pela obra de Deus, sabendo que a salvação é pela fé, mas o galardão é pelas obras. O texto de Zacarias 4 serve de base, especialmente a palavra: “não por força, nem por violência, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos”.

Desenvolvimento da Palavra

A obra de Deus é pelo Espírito, não pela força humana

A revelação de Cristo e da Igreja nos alcança como um despertar de um sono profundo. Antes, mesmo com olhos e ouvidos, não compreendíamos, pois estávamos adormecidos para o Senhor. O castiçal de ouro visto por Zacarias representa a Igreja, e o ouro simboliza a santidade do Senhor. As sete lâmpadas, ligadas ao vaso de azeite, apontam para os sete Espíritos de Deus, conforme Isaías 11. A mensagem central é clara: a obra de Deus não se realiza por força ou violência, mas pelo Espírito.

Na experiência da Igreja, não se vive por imposição ou rigor, como nos tempos da lei de Moisés, mas sob a lei do Espírito de vida em Cristo Jesus, agora escrita nos corações. O Espírito conduz tanto a vida individual quanto a igreja no propósito eterno de Deus. Vivemos o tempo da graça, após a vinda de Cristo em carne, e o Espírito foi enviado para guiar em toda a verdade. O Senhor afirmou que era necessário partir para que o Espírito viesse, pois só Ele pode revelar e conduzir plenamente.

A centralidade do Espírito na vida cristã

É impossível viver a vida cristã ou a vida da igreja sem a companhia do Espírito Santo. Muitos têm tentado substituir o Espírito por atrativos e costumes mundanos, criando um evangelho segundo os homens, que anula a pessoa do Espírito. Sem o Espírito, há cegueira, surdez e incompreensão espiritual. O Espírito não depende de recursos humanos ou mundanos para conduzir o povo de Deus; todos os princípios foram estabelecidos pelo Senhor desde os tempos eternos para que vivamos em obediência e satisfação.

A caminhada cristã exige ir bem desde o início até o fim, e isso só é possível pela obediência ao que o Espírito fala. O Espírito que habita em nós tem ciúmes e concede maior graça. A prática diária de cultivar a presença do Espírito é fundamental. O salmista, no Salmo 73, ao observar a prosperidade dos ímpios, sentiu seu coração azedar, mostrando como é fácil se afastar da obediência ao Espírito e se deixar levar por sentimentos mundanos. A vida do Espírito nos conduz a agir com amor e devoção, inclusive dentro da família, levando até mesmo à humilhação e ao arrependimento, que são ações do próprio Espírito.

Vivendo no tempo do Espírito e não se distraindo com o mundo

O mundo age com violência e cria filosofias para esta vida, mas não para a eternidade. A igreja vive a vida do Espírito, já experimentando a vida eterna. O tempo presente é de aprender os rudimentos da eternidade, pois a eternidade já está dentro de quem tem o Espírito. Não devemos perder tempo com as preocupações do dia a dia, mas viver o hoje, ligados à eternidade e debaixo da cobertura do Senhor.

O Espírito precisa ter liberdade para mover-se em todos os corações. O arrependimento, quando pais se humilham diante de filhos ou esposas, é fruto da ação do Espírito, que convence do pecado e leva à conversão. Sem a iluminação do Espírito, o homem permanece bruto e carnal, mas a igreja é espiritual e é a casa do Espírito do Senhor. Cada crente é templo do Deus vivente, e o Espírito precisa ser cultivado no coração.

No tempo do fim, é necessário dar atenção ao que o Espírito fala à igreja, sem distrações. O diabo, sabendo que tem pouco tempo, tenta desviar os corações da verdade por todos os meios, mas é preciso cultivar a vida do Espírito com temor e devoção. Cada manhã deve ser iniciada na presença do Senhor, agradecendo e glorificando a Deus, permanecendo guardados pelo Espírito ao longo do dia.

O tempo se abrevia, como diz 1 Coríntios 7:29, e tudo neste mundo passa. O casamento, por exemplo, não deve ser motivo de distração, mas de serviço ainda melhor ao Senhor. Os que choram, folgam ou usam deste mundo devem fazê-lo sem apego, pois tudo perece pelo uso. Não há sentido em colocar o coração nas coisas deste mundo, mas sim no reino de Deus. O Espírito sempre aponta para a palavra de Deus e para a glória do Senhor, nunca para as coisas do mundo. O que glorifica e exalta o Senhor, isso devemos fazer, ouvindo sempre o que o Espírito diz.

Para guardar

  • A obra de Deus só se realiza pelo Espírito, nunca por força humana.
  • O Espírito Santo deve ter liberdade total para conduzir a igreja e cada crente.
  • Toda distração mundana deve ser rejeitada para que o coração permaneça no reino de Deus.