Essência

O crescimento espiritual é inseparável do avanço na justiça de Deus. Não basta possuir aspectos morais ou boas intenções; é necessário nascer de novo, receber a nova natureza e, a partir dela, desejar afetuosamente a vida de justiça. Esse processo envolve deixar para trás as obras do velho homem, como inveja, murmuração e engano, e prosseguir, pela cruz, rumo à perfeição em Cristo. A maturidade espiritual se manifesta em discernimento, humildade e busca constante por sabedoria do alto, para viver e julgar segundo a justiça de Deus.

O ponto de partida

O retorno das reuniões, após um intervalo, revela o compromisso com a formação do caráter espiritual. O texto-base é 1 Pedro 2:1-3, que exorta a deixar toda malícia, engano, fingimento, inveja e murmuração, e desejar como meninos novamente nascidos o leite racional não falsificado, para crescer na salvação.

Desenvolvimento da Palavra

Deixando o Velho Homem e Desejando a Vida de Justiça

O crescimento espiritual exige abandonar as práticas do velho homem. Aspectos morais, por si só, não conduzem à salvação nem ao verdadeiro crescimento diante de Deus. O novo nascimento é fundamental: sem ele, não há justiça de Deus operando na vida. A cruz é apresentada como fundamento do Evangelho, símbolo da renúncia e morte do velho homem, para que o novo seja construído. Deixar a malícia, o engano, os fingimentos, as invejas e as murmurações é parte desse processo de transformação.

O desejo pela justiça não pode ser imposto por força humana. Assim como uma criança naturalmente busca o leite materno, quem nasce de novo passa a desejar, de forma espontânea e afetuosa, as coisas de Deus. O ministro compartilha seu testemunho: antes de uma experiência real com Deus, tentou mudar sua linguagem por esforço próprio, mas só experimentou verdadeira transformação após ser visitado pelo Senhor. A nova natureza trouxe uma linguagem nova e prazer nas coisas de Deus, mostrando que o serviço ao Senhor não é forçado, mas fruto de alegria e amor.

Prosseguindo até a Perfeição: Maturidade, Discernimento e Humildade

A maturidade espiritual é marcada pelo desejo de crescer, deixando os rudimentos e avançando até a perfeição. O menino espiritual é identificado por atitudes como murmuração, inveja e falta de exercício na palavra da justiça. Mesmo nascido de novo, quem permanece na meninice não experimenta a plenitude do que Deus deseja. O novo homem é criado em verdadeira justiça e santidade, livre das obras do velho homem.

Paulo, escrevendo aos filipenses, ensina que, naquilo que já alcançamos em Cristo, somos perfeitos, e devemos andar segundo essa regra, sempre avançando e jamais recuando. O alvo é a perfeição, que não é um conceito abstrato, mas uma pessoa: Jesus Cristo. Ele é o modelo de perfeição, sem engano ou erro em suas obras, e somos chamados a seguir suas pisadas, confiando na segurança desse caminho.

A justiça de Deus conduz à humildade. O próprio Jesus ensinou a mansidão e humildade de coração como características do caminho da justiça. A natureza caída é marcada por soberba e rivalidade, mas a justiça de Deus revela simplicidade e humildade, manifestando a glória de Cristo na vida do crente. O processo de crescimento é de fé em fé, de glória em glória, até a plenitude de Jesus.

Sabedoria e Juízo: Discernindo o Caminho da Justiça

A justiça caminha junto com o juízo, que envolve discernimento espiritual. É necessário orar por sabedoria e inteligência espiritual para compreender e viver a justiça de Deus. O exemplo de Salomão, que pediu a Deus um coração entendido para julgar o povo e discernir entre o bem e o mal, ilustra a importância de buscar sabedoria do alto. Salomão reconheceu sua limitação e, em humildade, pediu entendimento para cumprir seu encargo.

O episódio do julgamento das duas mulheres e o menino revela como a sabedoria de Deus se manifesta em decisões justas e cheias de discernimento. A verdadeira justiça envolve renúncia, disposição para perder, como a mãe que preferiu abrir mão do filho para salvá-lo, refletindo o próprio Cristo, que se entregou por amor. Assim, o juízo e a justiça devem ser buscados e exercidos tanto no testemunho diante dos de fora quanto no convívio da casa de Deus.

A oração por sabedoria e inteligência espiritual é incentivada, seguindo o exemplo de Paulo, que intercedia para que os irmãos recebessem revelação e entendimento. Salomão foi abençoado por pedir sabedoria, e o mesmo princípio se aplica à vida cristã: é preciso buscar entendimento para viver e julgar segundo a justiça de Deus, tornando-se espiritualmente maduros e experimentados na palavra da justiça.

Nossa resposta ao Senhor

A resposta ao chamado de Deus é buscar, em oração, sabedoria e inteligência espiritual para crescer na justiça e discernimento. É necessário deixar as obras do velho homem, prosseguir até a perfeição em Cristo e viver com humildade, permitindo que a glória de Jesus seja revelada em cada atitude. Que o Senhor fortaleça cada um a permanecer e avançar nesse caminho.

Para guardar

  • O crescimento espiritual exige deixar as práticas do velho homem e desejar, com afeto, a justiça de Deus.
  • A maturidade se manifesta em humildade, discernimento e busca constante por sabedoria do alto.
  • O alvo é a perfeição em Cristo, seguindo suas pisadas e permitindo que sua glória se revele em nós.