Essência
A vida cristã é uma carreira marcada por obstáculos, mas todos os que creram em Jesus são chamados a participar da vocação celestial. O segredo para vencer está em considerar continuamente a Jesus Cristo, apóstolo e sumo sacerdote da nossa confissão, mantendo uma vida de confissão sincera, temor ao Senhor e comunhão verdadeira com os irmãos. A vitória é alcançada pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do testemunho, com um coração humilde e transparente diante de Deus e do próximo.
O ponto de partida
A palavra nasce da exortação prática de Hebreus 3:1, que chama todos os crentes a considerarem Jesus Cristo. Essa convocação é dirigida a todos os que receberam o Senhor, lembrando que a vocação celestial é uma meta a ser alcançada, apesar dos muitos obstáculos ao longo do caminho.
Desenvolvimento da Palavra
Considerar a Jesus Cristo e a vocação celestial
Todos os que creem em Jesus são participantes de uma chamada celestial, uma carreira com obstáculos semelhantes a uma corrida olímpica. Para vencer, é necessário atentar para aquilo que o Senhor está mostrando: considerar a Jesus Cristo. A carta aos Hebreus enfatiza repetidamente a importância de considerar, seja a Jesus, seja o modo de viver dos líderes espirituais, como em Hebreus 13:7, onde se destaca o resultado da conduta e a imitação da fé daqueles que vivem em Cristo, pois Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e eternamente.
O Espírito Santo é quem exorta por meio dessa palavra, chamando os crentes a suportarem a exortação e a considerarem uns aos outros para estimular ao amor e às boas obras (Hebreus 10:24). Isso implica reconhecer que todos são membros de um só corpo e não podem viver isoladamente. Não existe crente vivo para si mesmo; todos morreram e creram na ressurreição em Cristo. Assim, a congregação é essencial, e afastar-se dela revela falta de consideração pelo corpo de Cristo.
A prática da confissão: pecado, fé e comunhão
Considerar Jesus Cristo envolve também a confissão. Existem dois tipos de confissão: a confissão de pecados, que glorifica a Deus e demonstra fé no sacrifício de Cristo, e a confissão da confiança, que é o testemunho diário da fé e certeza em Jesus. Confessar pecados é necessário, pois “o que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia” (Provérbios 28:13-14). A confissão não pode ser superficial; é preciso confessar e abandonar o pecado, inclusive divisões e reservas no coração em relação aos irmãos.
A ilustração da pequena mancha que pode se tornar um câncer mostra como pequenas mágoas não resolvidas podem crescer e afetar todo o corpo. A falta de discernimento do corpo de Cristo pode resultar em fraqueza, doença e até morte prematura, pois o pecado de um membro afeta todos. Por isso, é vital colocar todos os pecados debaixo do sangue do Cordeiro, confessando-os antes da volta do Senhor. A ceia do Senhor é um lembrete constante dessa necessidade: ao anunciar a morte de Cristo, o crente também anuncia sua própria morte para o pecado.
A confissão da confiança, por sua vez, é manter a certeza de que o Senhor é poderoso para sustentar e guardar. Não se deve orar relembrando pecados já perdoados, pois o Senhor prometeu jamais lembrar deles. A verdadeira confissão de fé reconhece a obra perfeita de Cristo e leva o crente a não amar sua própria vida, mas a entregar-se como Jesus fez.
Consequências do pecado, temor e vigilância na fala
O pecado traz consequências, mesmo após o perdão. Deus pode restaurar a comunhão e apagar os pecados, mas a colheita da corrupção na carne pode permanecer. Por isso, é necessário profundo arrependimento e humilhação diante do Senhor. Até mesmo coisas boas podem se tornar contaminação se ocuparem o lugar de Deus no coração, como o amor excessivo por familiares ou a preocupação exagerada com o bem-estar dos filhos.
A fala precipitada é outro perigo. Palavras ditas sem reflexão podem trazer consequências graves, como cair em um precipício. É preciso aprender a pensar antes de falar, pois a boca pode levar à queda. A recomendação bíblica é considerar-se morto para o pecado e vivo para Deus em Cristo Jesus (Romanos 6:11), mantendo a sinceridade e a transparência nos relacionamentos. Se houver ofensa entre irmãos, marido e esposa, pais e filhos, é necessário confessar, pedir perdão e resolver a situação antes de participar da comunhão.
A vitória é garantida pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do testemunho, mas requer prática diária de confissão, temor, vigilância e amor ao próximo. O Senhor suportou toda a humanidade na cruz, perdoando e consumando a obra. Assim, cada um é chamado a olhar para Ele, abençoar, orar uns pelos outros e ser sincero diante do Senhor.
Para guardar
- Confissão sincera traz vitória e restauração.
- Considerar Jesus Cristo é essencial para vencer obstáculos.
- A comunhão e o amor ao próximo são inseparáveis da vida cristã.