Essência
A igreja foi chamada para ser muito mais do que uma instituição: ela é o poema vivo de Deus, criada para manifestar o louvor da graça e da glória do Senhor. Essa vocação não se limita a palavras ou cânticos, mas se expressa na própria existência e natureza dos que foram redimidos. O propósito central é anunciar as virtudes daquele que nos chamou das trevas para a maravilhosa luz, vivendo como cartas vivas e novas criaturas, participantes da natureza divina.
O ponto de partida
A reflexão surge da busca por compreender o papel da igreja no mundo e sua vocação suprema, destacando Efésios 1, especialmente os versículos 6 e 12. O ministro relembra a centralidade de Cristo e como todas as coisas se congregam nele, conforme profecias desde Gênesis. Dois versículos saltam aos olhos: “para louvor e glória da sua graça” (v.6) e “para louvor da sua glória” (v.12), que, embora pareçam semelhantes, revelam dimensões distintas do propósito divino.
Desenvolvimento da Palavra
Louvor da graça e louvor da glória: duas dimensões
Efésios 1 apresenta duas posições de louvor: primeiro, “louvor e glória da sua graça”, relacionada à obra consumada por Jesus Cristo; segundo, “louvor da sua glória”, ligada à glória pessoal de Cristo. Não se trata apenas de proferir palavras, mas de ser, em essência, um louvor para Deus. A igreja é descrita como “feitura sua”, um poema escrito por Deus, criado em Cristo Jesus para boas obras. Assim como os salmos são a escritura de Deus para louvor e glória, os salvos são cartas vivas, biografias de Jesus apresentadas ao mundo.
A imagem de Cristo é esculpida nos corações, tornando cada crente uma carta escrita pelo Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração. Essa obra da graça é exclusiva: o homem é objeto, não colaborador. Somos agradáveis a Deus no amado, pois a graça é a própria imagem de Jesus Cristo vinda ao mundo. O nascimento de Jesus foi anunciado com louvor: “glória a Deus nas alturas, paz na terra e boa vontade para com os homens”. O Cordeiro de Deus será eternamente louvado por sua obra de redenção, como revelado em Apocalipse 5.
A nova criação e as virtudes da igreja
A igreja é definida por quatro constituições: geração eleita, sacerdócio real, nação santa e povo adquirido. Cada uma delas revela uma faceta da nova criação operada pela graça. A geração eleita é fruto da escolha divina; o sacerdócio real expressa as virtudes do poder redentor, manifestando misericórdia, compaixão e amor. A nação santa é indivisível, separada para Deus, mostrando ao mundo as virtudes do governo divino. O povo adquirido, comprado pelo sangue, é totalmente possuído por Deus para apresentar o poder do amor ao mundo.
A vocação suprema da igreja, segundo 1 Pedro 2:9-10, é anunciar as virtudes daquele que nos chamou das trevas para a luz. Essa participação na natureza divina, conforme 2 Pedro 1:4, é resultado das grandíssimas e preciosas promessas, escapando da corrupção do mundo. O ministro destaca a referência a Oséias, onde o povo que não era povo tornou-se povo de Deus e alcançou misericórdia, tudo pela graça.
Louvor da glória: a deidade e preeminência de Cristo
O louvor da glória de Deus está ligado à deidade e preeminência de Jesus Cristo. Apocalipse 4 revela o trono de Deus, com criaturas e anciãos adorando o Senhor, confessando que tudo foi criado por sua vontade. Jesus é o Criador, e nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade (Colossenses 2:9). Ele é antes de todas as coisas, cabeça da igreja, primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência (Colossenses 1:17-19).
A glória que Jesus tinha antes da criação do mundo é mencionada em João 17, onde o Senhor deseja que os seus estejam com Ele para verem sua glória. Somos feitos para louvor dessa glória, e essa revelação produz uma intensa oração, como exemplificado por Paulo em Efésios 1:15-16.
Fundamentos para edificação: fé e amor
Paulo destaca duas bases fundamentais para a oração e edificação: fé no Senhor Jesus Cristo e amor para com todos os santos. A fé não é apenas em um Jesus comum, mas no Senhor Jesus, fundamento da vida e da edificação. O amor é o vínculo da perfeita unidade, essencial para o crescimento e avanço na vocação gloriosa de anunciar as virtudes de Deus.
A edificação da igreja, como o templo de Salomão, possui força e formosura quando há unidade, fé e amor. O amor deve ser prático, não apenas de palavras, mas de obras e verdade. Assim, a igreja está preparada para crescer e manifestar as virtudes daquele que a chamou.
Cristo revelado
Cristo é revelado como o Cordeiro de Deus, cuja obra de redenção é o centro do louvor da graça, e como o Senhor exaltado, em quem habita toda a plenitude da divindade. Sua glória e preeminência são manifestas na criação e na igreja, que foi feita para ser um louvor dessa glória.
Nossa resposta ao Senhor
A resposta é viver com fé firme no Senhor Jesus Cristo e amor profundo por todos os santos, buscando edificação e crescimento espiritual. O chamado é para anunciar as virtudes de Deus, não apenas com palavras, mas com uma vida que expressa a natureza divina e o poder redentor da graça.
Para guardar
- Somos cartas vivas, poemas escritos por Deus, manifestando Cristo.
- A vocação da igreja é anunciar as virtudes de Deus, fruto da graça.
- Fé no Senhor Jesus e amor prático pelos santos são bases para edificação.