Essência
A revelação do reino de Deus em nós é uma obra de libertação, transformação e entrega. O reino não é apenas um conceito, mas uma realidade espiritual que nos tira das trevas e nos transporta para a luz, mudando nosso comportamento, nosso serviço e nossa adoração. O propósito divino é que Cristo seja formado em cada um, manifestando humildade, misericórdia e maturidade, até que Deus seja tudo em todos.
O ponto de partida
A meditação inicia com a leitura de Mateus 4, onde Jesus é conduzido pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo diabo. O sofrimento da tentação revela a batalha espiritual travada por Cristo contra o reino das trevas, um reino de ódio, violência e morte. O texto-base mostra que Jesus enfrentou o usurpador, resistindo à proposta de adoração e serviço ao diabo, e estabelecendo que só ao Senhor Deus devemos adorar e servir.
Desenvolvimento da Palavra
A Batalha dos Reinos e a Libertação
A tentação de Jesus no deserto expõe a guerra entre dois reinos: o reino mentiroso de Satanás e o reino de Deus. A humanidade, sem Cristo, adora e serve a si mesma, aprisionada por propostas do inimigo. Jesus declara que só ao Senhor devemos adorar e servir, o que exige uma vida de libertação da alma. Sem abrir mão da vida da alma, permanecemos presos a outro reino, que exige nosso amor, adoração e serviço. O discernimento é essencial para saber a quem servimos: não somos escravos de Satanás, mas do Senhor Jesus Cristo.
Após a tentação, Jesus começa a anunciar o evangelho do reino. O povo, assentado em trevas, vê uma grande luz. A luz de Cristo impacta aqueles acomodados nas trevas, revelando a necessidade de arrependimento. O anúncio do reino implica que, antes, prestávamos obediência ao pecado, mas agora somos chamados à liberdade. Colossenses 1:13 confirma que fomos tirados da potestade das trevas e transportados para o reino do Filho. O comportamento muda: antes vivíamos oprimidos, extraviados, odiando e sendo odiados, servindo às concupiscências e deleites. Hoje, somos chamados a levar a cruz, não amargura.
A obra regeneradora do Espírito Santo é evidenciada pela lavagem da regeneração e renovação. Ser limpo do pecado, não amar nem desejar o pecado, é sinal de que o Espírito Santo visitou e transformou. Não é necessário que alguém fique advertindo sobre pecado, pois a obra é interna e gloriosa. O crescimento espiritual é ilustrado pelo desmame de Isaac: maturidade significa apegar-se ao Senhor e servir espontaneamente, independentemente da presença de líderes ou irmãos. Abraão celebrou o desmame de Isaac porque entendia o propósito divino para o filho, que era herdar uma bênção e revelar Cristo.
O Evangelho do Reino e a Vida Transformada
Jesus percorre a Galiléia, ensinando, pregando o evangelho do reino e curando enfermidades. O conhecimento do evangelho do reino traz libertação das consequências do pecado. A igreja, quando entregue ao Senhor, torna-se canal para fluir bênçãos de cura e restauração. O Espírito Santo deseja projetar o corpo de Cristo, não ministérios individuais. Quando a igreja é unânime e tem um só coração, Deus opera maravilhas. O problema está na falta de conhecimento verdadeiro do evangelho do reino.
O reino de Deus é caracterizado por bem-aventuranças: pobres de espírito, os que choram, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos. Os mansos herdarão a terra, pois se submetem ao Senhor como cabeça. O reino será expressado sobre a terra, e os que se submetem ao Senhor reinarão com Ele. Jesus, na primeira vinda, foi desfigurado e humilhado, mas na segunda vinda será reconhecido como rei glorioso. O tribunal de Cristo será um tribunal familiar, onde a misericórdia semeada será considerada. Semeamos misericórdia como depósito no banco de Deus, e ela será concedida conforme nosso saldo.
Jesus foi desfigurado, não apenas esvaziado. Sua aparência não era atraente, mas Ele revelou o reino de Deus com o objetivo de chegar à meta do reino. O fim da mensagem está em 1 Coríntios 15:28, onde o Filho, após ser glorificado, continua humilde e se sujeita ao Pai, para que Deus seja tudo em todos. A humildade é Deus sendo tudo em todos, e nós nada. Jesus entrega tudo ao Pai, e quando entendemos a grandeza do reino, entregamos tudo também. O conhecimento pleno de Deus é alcançado quando todas as coisas são entregues ao Filho e o Filho consagra essa entrega ao Pai.
Cristo revelado
Cristo é revelado como a luz que impacta os que estão em trevas, como o Filho que se sujeita ao Pai em humildade eterna, e como aquele que foi desfigurado para cumprir o propósito divino. Sua obra é de regeneração, renovação e enchimento do amor de Deus, manifestando o caráter do reino e conduzindo à maturidade espiritual.
Nossa resposta ao Senhor
A resposta ao Senhor é glorificar, agradecer e desejar ser cheio do amor de Deus. O apelo é para esvaziar-se de si mesmo e ser cheio de Cristo, sem falhar na misericórdia e mansidão. O chamado é para abraçar o reino de Deus, entregar tudo ao Senhor e permitir que Cristo seja revelado em nós.
Para guardar
- O reino de Deus nos liberta das trevas e nos transporta para a luz.
- A obra do Espírito Santo é evidenciada pela regeneração e abandono do pecado.
- Humildade e misericórdia são marcas do caráter do reino em nós.