Essência
A verdadeira adoração e vida cristã exigem realidade e sinceridade diante de Deus. Não basta confissão de lábios ou conhecimento teológico; é necessário viver a identidade do novo homem, criado segundo Cristo, expressando a verdade em cada atitude, relacionamento e ministério. A igreja é chamada a ser a expressão viva de Cristo, edificada em unidade, santidade e serviço sacerdotal, proclamando o nome do Senhor e abençoando uns aos outros em submissão à ordem divina.
O ponto de partida
A reflexão nasce da observação de como muitas vezes a adoração se torna apenas uma formalidade: canta-se sobre levantar as mãos, mas o corpo permanece imóvel; declara-se entrega, mas o coração segue governando a própria vida. Surge, então, a necessidade de confrontar a mentira e buscar uma adoração real, tomando como base Colossenses 3:8-11, onde se exorta a despir-se do velho homem e viver a verdade do novo homem em Cristo.
Desenvolvimento da Palavra
A Verdade do Novo Homem e a Mentira do Velho
A adoração verdadeira não admite duplicidade. Quando se canta ou declara algo diante de Deus sem vivê-lo, incorre-se em mentira, e isso é incompatível com a nova natureza recebida em Cristo. O velho homem é, por essência, mentiroso, mesmo que não profira uma mentira específica. A Escritura afirma que, ao dizermos que não temos pecado, já mentimos. Por isso, a igreja, como expressão do Filho, deve ser real e verdadeira, pois foi criada à imagem de Cristo, o qual é a exata expressão do Pai.
Deus é absolutamente verdadeiro: tudo o que prometeu cumpriu, como registrado em Josué, e todas as Suas palavras se realizam. Assim, a igreja é chamada a glorificar o Senhor vivendo com a mesma realidade espiritual, sendo, neste mundo, como Cristo é. Essa identidade provoca oposição espiritual, pois o diabo combate a igreja ao enxergar nela a presença de Cristo. A perseguição é resultado dessa identificação, e não há promessa de ausência de conflitos, mas sim de vitória: as portas do inferno não prevalecerão contra a igreja.
O conhecimento que renova o novo homem não é filosófico ou apenas mental, mas o conhecimento de Jesus Cristo, que é a vida eterna. A igreja é chamada a não conhecer mais ninguém segundo a carne, mas segundo a imagem daquele que a criou. O erro de muitos está em amar a Cristo, mas não conseguir amar os irmãos, por olharem segundo a carne e não segundo o novo homem. O isolamento e a falta de comunhão são sintomas de desconhecimento da verdadeira identidade espiritual, pois Cristo é tudo em todos, e não apenas em alguns.
Edificação, Sacerdócio e Unidade Espiritual
A igreja é edificada como casa espiritual, composta de pedras vivas que se achegam umas às outras. Espiritualidade não é mero acúmulo de conhecimento bíblico ou teológico, mas prática da verdade recebida. Os coríntios tinham dons e conhecimento, mas eram carnais, pois lhes faltava realidade espiritual. A verdadeira teologia é o conhecimento pessoal de Deus, implantado no coração pelo próprio Senhor.
O sacerdócio da igreja é santo e exige maturidade. Assim como Arão e seus filhos eram vestidos e ungidos para exercer o sacerdócio, também hoje é necessário revestir-se de Cristo, expressando Sua glória e caráter. O exercício do sacerdócio requer separação, santificação e unção do Espírito Santo. Muitos não exercem plenamente seu sacerdócio por não quererem pagar o preço da renúncia e da maturidade espiritual.
A função do sacerdócio é abençoar, sendo ponte entre Deus e as pessoas. A bênção sacerdotal não é para exaltação própria ou divisão, mas para reunir e proclamar o nome do Senhor. A igreja deve estar unida, reunida em nome de Jesus, pois é ali que o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre. Separação consciente dos irmãos, formando grupos à parte, é facção e não traz a verdadeira bênção de Deus.
O serviço na casa de Deus é realizado em ordem e submissão mútua, cada um exercendo o dom recebido para edificação do corpo. Não há espaço para competição ou busca de destaque, pois todos estão sujeitos uns aos outros, até chegar à cabeça, que é Cristo. A maturidade espiritual se revela na disposição de servir, repartir e abençoar, não apenas em conhecimento ou dons visíveis.
A verdadeira espiritualidade se manifesta no cotidiano, na santidade pessoal, no relacionamento familiar, na vida secreta diante de Deus. É viver consciente da presença do Senhor em todo lugar, sendo casa espiritual e sacerdócio santo, revestido do caráter e do poder de Cristo para servir e proclamar Sua glória.
Nossa resposta ao Senhor
A resposta ao chamado é buscar realidade espiritual em cada área da vida, rejeitando a mentira e a aparência, e assumindo a identidade do novo homem em Cristo. É necessário viver em comunhão, exercer o sacerdócio com santidade e maturidade, e proclamar o nome do Senhor em unidade, para que a bênção de Deus seja manifesta entre o Seu povo.
Para guardar
- A verdadeira adoração exige sinceridade e prática, não apenas palavras.
- O novo homem em Cristo vive em comunhão, unidade e verdade.
- O sacerdócio santo é exercido em santidade, maturidade e serviço abençoador.