Essência

A igreja é chamada a viver como a plenitude de Cristo na Terra, experimentando a unidade, o amor e o poder do Espírito Santo. Essa vida de corpo, fundamentada na obediência, rendição e sujeição mútua, manifesta a glória de Deus em meio a um tempo difícil, preparando o povo para a volta do Senhor. O segredo está em guardar a unidade do Espírito, suportando-se e perdoando-se em amor, para que a paz e a luz de Cristo resplandeçam no mundo.

O ponto de partida

O texto-base de Efésios 1:20-23 revela Cristo ressuscitado, exaltado acima de todo poder, como cabeça da igreja, que é o seu corpo. A consciência de pertencimento a esse corpo, sendo a plenitude daquele que cumpre tudo em todos, é essencial para permanecer firme e guardado nos dias maus.

Desenvolvimento da Palavra

A origem e o poder da igreja: obediência, rendição e Pentecostes

A experiência dos discípulos após a ressurreição de Cristo é marcada pela obediência ao comando de Jesus de permanecerem em Jerusalém, aguardando a promessa do Espírito Santo. Unidos em oração e súplicas, cerca de 120 discípulos, incluindo as mulheres e Maria, mãe de Jesus, perseveraram unanimemente, demonstrando rendição e ajuste mútuo. Antes, havia conflitos entre eles, mas a visão do Cristo ressurreto e a expectativa da promessa os conduziu a uma postura de unidade e submissão.

Essa oração coletiva era, acima de tudo, uma oração de rendição, onde cada um se ajustava ao outro, formando um só coração e uma só alma. No entanto, ainda faltava o poder do Espírito Santo, que foi derramado no Pentecostes, enchendo-os e dando origem à igreja. A partir desse momento, cheios do Espírito, anunciaram o Evangelho com ousadia, primeiramente em Jerusalém e depois até os confins da terra. A vida da igreja, então, se tornou marcada pela perseverança na doutrina dos apóstolos, comunhão, partir do pão e orações, com alegria, simplicidade e zelo diário.

A manifestação da glória de Deus era visível: o Senhor acrescentava à igreja os que iam sendo salvos. Essa experimentação de glória e poder é o desejo de Deus para a igreja também nos últimos tempos. Não se vive para si mesmo, mas para Cristo e para a edificação do corpo, manifestando a glória de Cristo ao mundo.

Unidade prática: sujeição, perdão e amor

Efésios 5:21 destaca a sabedoria de sujeitar-se uns aos outros no temor de Deus. A sujeição começa com a obediência plena ao Senhor, fluindo para a sujeição mútua. Os primeiros discípulos experimentaram essa rendição, permitindo que o Senhor agisse por meio da unidade do Espírito, conquistada pela ressurreição e exaltação de Cristo.

A unidade do Espírito é um dom já alcançado, mas precisa ser guardada, especialmente nos últimos tempos. Efésios 4:1-3 exorta a viver de modo digno da vocação, com humildade, mansidão e longanimidade, suportando-se em amor e guardando a unidade pelo vínculo da paz. Humildade é reconhecer que nada somos; mansidão é não reivindicar nada para si; longanimidade é suportar o outro com paciência.

O exercício prático da sujeição envolve misericórdia e verdade. Quando há exortação, a verdade confronta, mas a misericórdia perdoa e restaura. Assim, a igreja se torna unânime, pronta para levantar-se junta em tempos de combate, sem espaço para queixas ou divisões. O amor age com verdade e misericórdia, gerando unanimidade e temor.

Cristo nunca agiu isoladamente, mas sempre em comunhão com os discípulos e, agora, com a igreja pelo Espírito. A verdade permeia o coração, trazendo humilhação e mansidão para receber a palavra de graça, misericórdia e amor. A igreja é chamada a viver como um só corpo, onde Cristo é tudo em todos (Colossenses 3:11), revestindo-se de misericórdia, benignidade, humildade, mansidão e paciência.

Manifestação da glória, paz e ânimo na igreja

O resultado dessa vida de sujeição e amor é a paz de Deus dominando os corações. Mesmo em tempos maus, a igreja caminha em paz, irradiando amor e glória para os de fora. Quando há paz e unidade, a pregação do Evangelho é eficaz, e o Senhor acrescenta os que são salvos.

A igreja é chamada a ser um astro que resplandece no mundo, mesmo em meio a uma geração corrompida e perversa. O ânimo mútuo é fundamental: cada um deve animar o outro, reconhecendo que todos são milagres de Deus, cordeiros juntos na graça do Senhor. O desânimo e os pensamentos do mundo não podem prevalecer, pois o Espírito Santo fortalece e anima o coração dos fiéis.

A edificação da igreja é motivo de festa e glória, pois Cristo prometeu que as portas do inferno não prevalecerão contra ela. O Senhor está voltando, e encontrará sua igreja glorificada, cheia de amor e vida. É tempo de tomar posse dessa verdade, animar-se e seguir juntos, custe o que custar, até a volta do Senhor.

Nossa resposta ao Senhor

O chamado é para animar-se no Senhor, fortalecer o irmão ao lado, perdoar, suportar e caminhar juntos em amor e paz, confiando que Cristo está edificando sua igreja e que nada pode romper o vínculo do amor entre os membros do corpo.

Para guardar

  • A unidade do Espírito é dom e responsabilidade: deve ser guardada com humildade, mansidão e amor.
  • O exercício prático do perdão e da misericórdia fortalece a vida do corpo e manifesta a glória de Cristo.
  • O ânimo mútuo e a paz são sinais da igreja viva, pronta para a volta do Senhor.