Essência

A caminhada cristã exige luta legítima, fundamentada na graça, revelação e visão celestial. O Senhor é o fundamento e o alvo, mas Ele opera através de obreiros quebrantados, despidos de si mesmos, para edificar a igreja e preparar o povo para a vinda de Cristo. A fidelidade, a compreensão da obra e o esvaziamento pessoal são indispensáveis para que a obra não seja em vão, mas alcance êxito e glorifique a Deus.

O ponto de partida

A expectativa pela breve vinda do Senhor e os sinais evidentes motivam a busca por uma caminhada legítima. O texto-base em Juízes 2:7 destaca a importância da visão e da fidelidade dos líderes para o êxito da obra de Deus, servindo como referência para o chamado e o preparo dos obreiros.

Desenvolvimento da Palavra

Visão, referência e continuidade na obra de Deus

A obra de Deus é um trabalho espiritual, centrado na revelação de Jesus e na edificação da igreja. Embora o Senhor seja o fundamento, Ele revela Sua vontade a homens, como Josué, cuja fidelidade e visão impactaram toda uma geração. O povo serviu ao Senhor enquanto havia visão, e os anciãos amadureceram junto com Josué, progredindo no entendimento do caminhar de Deus. O envelhecimento no meio dos irmãos deve ser acompanhado de crescimento na visão celestial, pois a falta de visão leva à corrupção e ao afastamento do Senhor.

A transição de gerações mostra que, após Josué e os anciãos, surgiu uma geração que não conhecia o Senhor nem a obra. Isso evidencia a necessidade de conhecer o Senhor e a obra, em ordem correta, para perseverar no chamado. A obra é vigente e atual, e cada geração deve compreender como o Espírito Santo está agindo em seu tempo. A responsabilidade de conhecer o Senhor e a obra é de cada um, e Deus cumprirá Sua obra com ou sem nossa participação, mas o desejo é ser contado entre os que perseveram.

O obreiro quebrantado e a graça operante

O preparo dos obreiros é fundamental para que a obra não seja em vão. Paulo, chamado pelo Senhor, teve que ser despido de suas habilidades naturais e conhecimento para ser revestido da revelação de Cristo. Ele viveu um tempo de transição difícil, mas considerou tudo como esterco para ganhar a Cristo. O Senhor mostrou a Ananias que Paulo seria um vaso escolhido, mas teria que padecer pelo nome de Jesus, esvaziando-se de si mesmo.

O grande obstáculo à obra é o próprio obreiro. Quando há obreiros quebrantados, despidos de si e que esperam no Senhor, a obra tem maior possibilidade de crescimento e expansão. O caminho é o esvaziamento, a santidade, o apartar-se do pecado, a atenção ao Senhor e a busca pela humildade de Cristo. O Senhor é exaltado quando há menos de nós e mais dEle, e o prêmio será recebido ao final, mas aqui o processo é de esvaziamento até o fim.

Revelação, comunhão e funcionalidade no corpo de Cristo

A plenitude de Deus habita em Cristo, e por meio dEle todas as coisas foram reconciliadas. A obra consiste em apresentar pessoas diante de Deus, santos, irrepreensíveis e inculpáveis. Todos os irmãos são obreiros, chamados para sofrer a obra em si e anunciá-la com graça. Permanecer firmes na fé e na esperança do Evangelho é essencial, e o regozijo vem do padecimento por causa da igreja, o corpo de Cristo.

O mistério de Deus é Cristo, e o mistério de Cristo é a revelação da igreja, o lugar de comunhão, nutrição e desenvolvimento da salvação. A compreensão da obra leva à participação consciente e ao regozijo, mesmo em meio a padecimentos, desprezos e lutas. O testemunho do irmão Lorival, que atravessa quilômetros para reunir com os irmãos, ilustra a visão e a compreensão do corpo de Cristo. Não se trata de conveniência, mas de revelação e edificação.

Quanto mais quebrantamento, mais graça para ministrar Cristo e encaminhar as ovelhas. A graça de Deus aproxima pessoas, e o obreiro deve ter sensibilidade para encaminhá-las ao corpo de Cristo, não apenas a uma igreja próxima. Paulo, livre do farisionismo e do judaísmo, tornou-se prisioneiro de Jesus Cristo, preso pela graça e pela revelação. O que sustenta o obreiro diante das lutas e padecimentos é a revelação de Jesus e da obra, não as condições naturais.

Nossa resposta ao Senhor

A oração final expressa dependência total da graça de Deus, exaltação ao Senhor e desejo de crescer na compreensão de Cristo. O pedido é por mais revelação, menos de nós e mais do Senhor, para acertar sempre o alvo e glorificar a Deus em cada passo e situação.

Para guardar

  • A obra de Deus depende de obreiros quebrantados e despidos de si.
  • A visão e a revelação são fundamentais para perseverar e edificar a igreja.
  • O esvaziamento pessoal é o caminho para mais graça e funcionalidade no corpo de Cristo.