Essência
A herança deixada por Cristo é gloriosa e acessível aos que creem, mas muitos não a valorizam ou não desfrutam plenamente. O chamado é para uma vida de visão, adoração e entrega, reconhecendo que tudo o que temos vem de Deus e que fomos salvos para viver para Ele. A experiência cristã não se resume a buscar bênçãos, mas a buscar o próprio Cristo, a verdadeira bênção e herança.
O ponto de partida
A reflexão inicia com a lembrança de que um testamento só tem valor após a morte do testador. Jesus morreu, deixando uma herança aos seus herdeiros, e cabe a cada um ser fiel ao que recebeu. O texto-base é 2 Coríntios 5, que revela a visão ampliada de Cristo após a cruz.
Desenvolvimento da Palavra
O valor da herança e o perigo do desprezo
Nem todos dão valor à herança deixada por Cristo. Exaú é citado como exemplo de quem desprezou o direito de primogenitura, tornando sua herança algo comum. A história da mulher que, mesmo sendo dona de metade da cidade, vivia em pobreza por não desfrutar da herança do pai, ilustra como muitos cristãos não desfrutam da vida cristã, pensando que ela pertence apenas a Deus e não a eles. O Senhor preparou uma grande ceia, mas muitos convidados deram desculpas e não fizeram caso, preferindo seus próprios negócios ou interesses. O chamado é para buscar primeiro o reino de Deus, pois a verdadeira prosperidade está em possuir o reino como herança.
Aqueles que receberam a Jesus Cristo receberam o direito de serem filhos de Deus. Esse direito foi concedido por Cristo ao morrer no Calvário. A visão de Cristo provoca adoração e constrange o coração, levando a reconhecer tudo o que Ele fez e é.
Visão de Cristo e adoração
A visão de Cristo não é mais segundo a carne, mas segundo o Espírito. Ele está à destra da majestade nas alturas, aguardando que todos os inimigos sejam postos debaixo de seus pés. O Espírito Santo foi dado como herança aos que creram, sendo o primeiro presente recebido após a conversão. A experiência de louvor e adoração é evidência do novo nascimento. O testemunho de Jurandir, que foi ressuscitado mas não conseguia cantar ao Senhor, mostra que o louvor é fruto da visão de Cristo.
A história dos dez leprosos, dos quais apenas um voltou para dar glória a Deus, revela que muitos buscam apenas as bênçãos, mas poucos reconhecem e adoram a Cristo. O filho mais velho, na parábola do filho pródigo, tinha tudo na casa do pai, mas não desfrutava da comunhão com ele, mostrando que a verdadeira riqueza está na comunhão e não apenas nas coisas.
Estevão, cheio do Espírito Santo, fixou os olhos no céu e viu a glória de Deus e Jesus à direita de Deus. Tudo depende de onde se fixa o olhar: olhar para baixo é ver coisas terrenas, mas levantar os olhos ao céu é ver a glória de Deus. Em Apocalipse 14, os 144 mil estão com o Cordeiro no monte Sião, marcados com o nome dele e do Pai, cantando um cântico novo que só eles podem aprender, pois é fruto de experiência pessoal com Deus.
Experiência, adoração e vida para Deus
A experiência de entrar no reino de Deus depende da entrega pessoal ao Senhor. Os salvos têm o selo da redenção, o dom do Espírito Santo, e são marcados com o nome de Cristo e do Pai, tendo origem em Deus e sendo novas criaturas. Conhecer o Senhor e vê-Lo é essencial para glorificá-Lo.
A história do cego Bartimeu, em , mostra que sua agonia era ver. Ele clamou por misericórdia, reconhecendo o tempo da visitação do Senhor. Quando Jesus o chamou, Bartimeu lançou de si a capa, sua proteção, e foi ao encontro de Jesus. O Senhor perguntou o que ele queria, e Bartimeu pediu para ver. Jesus declarou que sua fé o salvou, e a evidência da salvação foi que ele seguiu a Jesus pelo caminho.
O cego de nascença, em João 9, representa a necessidade de seguir a Jesus após ter visão. A verdadeira adoração não está ligada a templos, mas ao Pai em espírito e em verdade, pois o Pai procura adoradores assim. Adorar o Filho é agradar ao Pai, pois Jesus veio para servir e dar sua vida em resgate.
Jesus viveu exclusivamente para Deus, cumprindo a vontade do Pai ao se oferecer como holocausto e sacrifício pelos pecados. A vida cristã é chamada a viver para Deus, não apenas em Deus ou dEle, mas para Ele. Os altares de Abraão ilustram essa progressão: viver em Deus, viver dEle, viver com Ele e viver para Ele.
A posição da igreja é elevada, não no monte palpável, mas na presença de Deus. A herança só é possível por causa de Cristo. O chamado final é para abrir a boca, confessar e dignificar Jesus, pedindo ao Espírito Santo que encha o coração de amor para adorá-Lo.
Cristo revelado
Cristo é revelado como a própria bênção, não apenas abençoador. Ele é o herdeiro de todas as coisas, glorificado à direita do Pai, e aquele que serve e dá sua vida em resgate. O Espírito Santo revela quem é Jesus agora, marcando os salvos com o nome de Cristo e do Pai.
Nossa resposta ao Senhor
A resposta é abrir o coração e a boca em adoração, confessando o quanto Jesus é digno e pedindo ao Espírito Santo que encha de amor para amá-Lo. O convite é para glorificar o Senhor com louvor e um coração quebrantado, reconhecendo a herança recebida e vivendo para Deus.
Para guardar
- Valorizar e desfrutar a herança deixada por Cristo.
- Buscar uma visão espiritual de Cristo, não apenas terrena.
- Viver para Deus, em adoração e entrega total.