Essência

A glória de Cristo é revelada como algo essencial, único e compartilhável. Ele, o unigênito do Pai, manifesta a plenitude da graça e da verdade, tornando-se o primogênito entre muitos irmãos. Conhecer essa glória não é apenas admirar atributos, mas participar da própria natureza divina, sendo transformados e incluídos no propósito eterno de Deus.

O ponto de partida

A meditação parte dos primeiros versículos do Evangelho de João, onde se revela que o Verbo era Deus, se fez carne e habitou entre nós. João testemunha ter visto essa glória, a glória do unigênito do Pai, cheia de graça e de verdade. O texto baseia-se em João 1:1, 14 e 18, mostrando a intenção do apóstolo em transmitir a visão da glória de Cristo que lhe foi revelada.

Desenvolvimento da Palavra

A Glória do Unigênito: Singularidade e Herança

A glória de Cristo é apresentada em sua singularidade: Ele é o unigênito do Pai, o único, a gênese única, em quem reside toda a herança, natureza e personalidade divina. A narrativa de Abraão e Isaac em Gênesis 22 ilustra essa realidade, quando Deus pede a Abraão que ofereça seu filho único, Isaac, apontando para Cristo como o Filho amado, herdeiro de todas as coisas. Assim como Isaac recebeu tudo de Abraão, Cristo é o herdeiro de tudo o que pertence ao Pai.

O propósito eterno de Deus é revelado ao mostrar que Cristo, embora unigênito, não permaneceria único para sempre. Em Hebreus 1, Deus introduz o primogênito no mundo, indicando que o Filho desejava compartilhar sua glória com muitos irmãos. Romanos 8 confirma esse decreto: aqueles que Deus conheceu de antemão foram predestinados para serem conformes à imagem do Filho, para que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos. Assim, a porta da primogenitura se abre, incluindo a igreja no propósito eterno de Deus.

A vinda do Filho unigênito ao mundo, como descrito em 1 João 4:9, manifesta o amor de Deus, trazendo vida onde antes havia morte. A vida eterna, que estava com o Pai, é agora acessível por meio de Cristo. Ele não apenas revela a glória que possuía antes da fundação do mundo, mas a compartilha ao incluir-nos em sua natureza. Ver a glória de Cristo é, portanto, conhecer sua natureza, algo possível apenas pelo novo nascimento, pois somente quem nasce de Deus pode discernir espiritualmente essa glória.

Revelação, Natureza e Transformação

A capacidade de conhecer a glória de Cristo depende do novo nascimento e da maturidade espiritual. O homem natural, mesmo que tenha dons, não pode compreender as coisas do Espírito de Deus, pois elas se discernem espiritualmente. O conhecimento pessoal do Senhor é reservado aos espirituais, aos que são guiados pelo Espírito Santo. A salvação é para o crente, mas a revelação da pessoa do Salvador é para o santo, para aquele que busca avançar na fé e na maturidade.

João destaca três aspectos da glória de Cristo: vida, luz e amor. Glória é a expressão do que Deus é em sua essência. Deus é amor, vida e luz. Quando a igreja manifesta amor, está cheia de glória. A glória é um conjunto de atributos, de caráter e natureza, imutáveis em Deus. Jesus é o resplendor da glória do Pai, a expressão visível e palpável dessa glória. Assim como o resplendor do sol revela sua luz, Cristo revela o Pai. Conhecer a glória de Deus é olhar firmemente para a face do Filho, pois nela está a iluminação do conhecimento da glória de Deus.

A revelação da glória transforma. Se conhecemos a glória de Deus na face de Cristo, deixamos de expressar a nós mesmos para manifestar o Filho. O Pai cuida da glória do Filho, e nós somos chamados a permitir que essa glória se manifeste em nós. O apóstolo Paulo, ao encontrar o Senhor, viu uma luz que excedia a do sol do meio-dia, e sua vida foi marcada pela busca e expressão dessa glória. O evangelho é a notícia da glória de Deus na face de Jesus Cristo, que é a substância palpável da glória divina.

A Glória que Reveste e Fortalece

A glória de Cristo é eterna e imutável. Ele é o mesmo ontem, hoje e eternamente. Ao se fazer carne, não perdeu sua glória, mas ganhou ainda mais dignidade ao se humilhar e atrair nossos corações. A glória também é descrita como uma roupagem real, uma vestimenta de majestade. No monte da transfiguração, as vestes de Jesus resplandeceram como a luz, revelando sua glória. Revestir-se do Senhor Jesus Cristo é proteger-se e fortalecer-se em sua glória.

Colossenses 1:11 fala sobre ser corroborado com a força da sua glória, recebendo paciência, longanimidade e gozo. Deus deseja que conheçamos e prossigamos em conhecer sua glória. A sabedoria de Deus, oculta em mistério, foi ordenada para nossa glória, em contraste com a sabedoria deste mundo, que se aniquila. Cristo é original, o que dá origem a todas as coisas; tudo foi feito nele, por ele e para ele. Estar em Cristo é participar dessa originalidade e glória.

Cristo revelado

Cristo é revelado como o unigênito do Pai, herdeiro de todas as coisas, e também como o primogênito entre muitos irmãos. Ele é a expressão visível e substancial da glória de Deus, a luz que ilumina e a vida que vivifica. Sua glória é eterna, imutável e acessível àqueles que nascem de Deus e buscam conhecê-lo.

Nossa resposta ao Senhor

A resposta é buscar maturidade espiritual, avançar na fé e desejar conhecer mais profundamente a glória de Cristo. É necessário nascer de novo, ser guiado pelo Espírito e revestir-se do Senhor Jesus, permitindo que sua glória se manifeste em nossa vida e comunidade.

Para guardar

  • A glória de Cristo é única, mas foi compartilhada para incluir muitos irmãos.
  • Só é possível conhecer a glória de Deus pela revelação do Espírito e pelo novo nascimento.
  • Revestir-se da glória do Senhor fortalece e transforma o nosso viver.