O crente é alguém que anda sempre no temor de Deus - não temor covarde, porque “o perfeito amor lança fora” esse temor. Ele não somente se aproxima de Deus, nos termos da Epístola aos Hebreus, “com reverência e santo temor”, mas toda a sua vida ele a vive desse modo. O cristão é o único homem no mundo que vive com esse senso de julgamento e sob ele. Tem que agir assim porque o Senhor lhe manda proceder assim. Avisa-lhe que o edifício que está construindo será julgado, que está para vir o teste da vida. Diz-lhe que não diga “Senhor, Senhor”, nem confie em suas atividades na igreja como sendo necessariamente suficientes, porque o julgamento vem, e julgamento por Aquele que vê o coração… Os crentes mencionados no Novo Testamento viviam no temor de Deus. Aceitavam o ensino do apóstolo Paulo, quando dizia: “Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo” (). Essas palavras são dirigidas a crentes. No entanto, o crente moderno não gosta disso; ele diz que nada tem a ver com isso. Mas esse é o ensino do apóstolo Paulo, como o é, por igual modo, o do Sermão da Montanha: “Porque importa que todos compareçamos perante o tribunal de Cristo”; “E assim, conhecendo o temor do Senhor…” O juízo vem, e vai começar “pela casa de Deus”, que é por onde deve começar, por causa das alegações que fazemos acerca de nós mesmos. Isso tudo nos é informado de modo impressionante, aqui na divisão final do Sermão da Montanha. Devemos sempre viver e andar desconfiados da carne, desconfiados de nós mesmos, sabendo que teremos de comparecer perante Deus e ser julgados por Ele. É uma “porta estreita”, é um “caminho apertado” este, que leva àquela vida que é vida de verdade.