… (A primeira bem-aventurança - ) obviamente, portanto, é um exame bem penetrante para cada um de nós, não somente quando nos encaramos a nós mesmos, mas especialmente quando encaramos a mensagem completa do Sermão da Montanha. Você entende, ela condena de uma vez toda idéia formada sobre o Sermão da Montanha que o considera em termos de algo que você e eu podemos fazer, de algo que você e eu podemos empreender. Ela nega isso logo de começo. Aí é onde se acha essa tão evidente condenação de todas aquelas opiniões que… entendem o Sermão da Montanha como se fora uma nova lei, ou como um meio de introduzir um reino entre os homens. Não ouvimos muito esse tipo de prosa hoje em dia, mas não desapareceu de todo, e foi muito popular na primeira parte deste século. Os homens falavam de “introduzir o reino”, e sempre usavam como texto o Sermão da Montanha. Pensavam nesse sermão como algo que poderia ser aplicado. Basta pregá-lo, e os homens logo começarão a pô-lo em prática.

Entretanto, essa idéia não só é perigosa como também é a completa negação do próprio sermão, o qual começa com esta proposição fundamental concernente a sermos “pobres de espírito”. O Sermão da Montanha, em outras palavras, vem até nós e diz: “Aí está a montanha que você tem que escalar; as alturas a que você tem que subir; e a primeira coisa que você precisa compreender, ao olhar para essa montanha que Jesus lhe diz que você tem de escalar, é que você não pode fazer isso, que você é totalmente incapaz de fazê-lo sozinho, e que qualquer tentativa sua de fazê-lo, com seus próprios recursos, é prova cabal de que você nem entendeu o sermão”. Já bem no início ele condena a idéia de que ele constitui um programa para o homem, tal e qual ele se acha, pôr imediatamente em execução.