Essência

A verdadeira vida cristã se manifesta quando, quebrados em todas as áreas, permitimos que Cristo seja revelado em nós. O sacerdócio que recebemos não é para exaltação própria, mas para abençoar, interceder e proclamar Cristo crucificado. A comunhão, o partir do pão e a intercessão são expressões desse chamado, que exige rendição total para que o Filho seja visto e glorificado.

O ponto de partida

A ministração parte da lembrança do sacrifício de Cristo ao partir o pão e tomar o cálice, reconhecendo que Deus provou Seu amor ao entregar Jesus por nós, mesmo sendo pecadores. A leitura de Jó 19 serve de base para refletir sobre o processo de Deus em quebrantar e aperfeiçoar Seus filhos.

Desenvolvimento da Palavra

O Processo de Quebrantamento e o Sacerdócio de Cristo

A experiência de Jó ilustra a obra de Deus na vida humana: um processo de aperfeiçoamento e revelação, onde o Senhor tem planos e os leva a cabo, mesmo que envolva dor e perda. O texto de Jó 19:10 destaca como Deus pode “quebrar de todos os lados” e arrancar a esperança, não como punição, mas como caminho para revelar Cristo em nós. O testemunho de uma tragédia natural, onde uma pedra destruiu casas e vidas, serve para lembrar que, mesmo em meio ao sofrimento, Deus está presente e age.

A presença de Melquisedeque em Gênesis revela o caráter do sacerdócio que nos foi dado: rei de justiça, rei de paz, sacerdote do Deus Altíssimo. Esse ministério não começou com Abraão, mas desde a queda, pois a humanidade sempre precisou de um mediador. O sacerdócio tem a função de unir homens a Deus, batalhar em intercessão e oração para que despertem para caminhar com o Senhor.

O exemplo de Matusalém, cuja vida longa foi sinal da longanimidade de Deus antes do dilúvio, mostra que o juízo só vem após muita paciência divina. Enoque, por sua vez, escolheu andar com Deus, mostrando que é possível viver em comunhão mesmo em tempos difíceis. A igreja, ao receber o mesmo sacerdócio de Melquisedeque, é chamada a exercer influência sobre vidas, intercedendo e se quebrantando para fazer a vontade do Senhor.

Áreas Que Precisam Ser Quebradas

O maior problema do povo de Deus é resistir ao quebrantamento. Muitas vezes, permanecemos inteiros em áreas como emoções, mente e vontade. O amor seletivo, especialmente nas relações familiares, pode gerar filhos com caráter deturpado, pois falta o amor ágape, que se alegra com a verdade e não com a injustiça. A mente humana, potente para o bem e para o mal, precisa ser quebrada para que a sabedoria de Deus prevaleça. Paulo ensina que, para ser sábio, é preciso tornar-se louco aos olhos do mundo.

A vontade forte, quando não submetida, pode transformar alguém em um ditador, incapaz de ser contrariado. Só há um ponto de vista absoluto: o de Jesus Cristo, o pensamento da Palavra de Deus. O Senhor precisa trabalhar em cada área, e o fim desse processo é sempre o bem, pois todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus. O exemplo de Pedro, que só pôde ouvir o chamado de Jesus após chorar amargamente, mostra que é preciso perder para vencer.

Quando os planos e aspirações pessoais falham, como em Jó 17:11, é sinal de que Deus ainda está quebrando alguma área. O propósito final não é um ministério poderoso ou reconhecimento, mas ser conforme à imagem do Filho. O Pai deseja revelar Seu Filho em nós, e nada além disso. Na transfiguração, quando Pedro admirava Moisés e Elias, o Pai direcionou o foco para Jesus, mostrando que Ele é o centro de tudo.

O Ministério Sacerdotal: Proclamar, Abençoar e Interceder

O sacerdócio real recebido pela igreja tem a responsabilidade de proclamar Cristo crucificado e abençoar vidas. Melquisedeque, ao encontrar Abraão, trouxe pão e vinho, prefigurando a comunhão e o ministério intercessório de Cristo. Após batalhas e temores, a comunhão sacerdotal traz consolo e restauração. Cada reunião é uma oportunidade de experimentar a presença de Cristo, que nunca falta quando Seu povo se reúne.

A experiência pessoal do ministro, que nunca perdeu uma reunião mesmo sem recursos, destaca a importância da fidelidade e do valor da comunhão. O sacerdócio não é para reclamar ou buscar status, mas para exercer o maior ministério: anunciar Cristo e interceder pelos que estão sob juízo. O exemplo de Números 6 mostra que o sacerdote abençoa invocando o nome do Senhor, não o próprio nome ou ministério. A bênção verdadeira vem do Senhor, que nos abençoa com todas as bênçãos espirituais em Cristo.

A morte de Cristo vai além da compreensão humana, e a igreja é chamada a proclamar Sua obra, Seu nome e Sua pessoa. O ministério sacerdotal é abençoar, interceder e proclamar, colocando o nome do Senhor sobre as pessoas para que sejam alcançadas por Sua misericórdia e paz.

Cristo revelado

Cristo é revelado como o verdadeiro sacerdote, mediador e centro de toda devoção. Ele é o amor dos amores, a suprema alegria e a razão de toda comunhão. Sua presença é constante, e Sua obra é proclamada cada vez que partimos o pão e tomamos o cálice, lembrando que Ele morreu por nós e nos fez participantes de Seu sacerdócio.

Nossa resposta ao Senhor

A resposta ao chamado é permitir que o Senhor nos quebre em todas as áreas, rendendo emoções, mente e vontade para que Cristo seja revelado em nós. É tempo de proclamar a morte e ressurreição do Senhor, abençoar e interceder, vivendo o sacerdócio real com fidelidade e gratidão.

Para guardar

  • O sacerdócio real é para proclamar Cristo crucificado e abençoar vidas.
  • O quebrantamento em todas as áreas revela a imagem de Cristo em nós.
  • A comunhão e intercessão são expressões do ministério sacerdotal recebido.