Essência
O coração do Pai foi profundamente tocado ao entregar o Filho na cruz, não apenas pelo ato de salvação, mas pela interrupção, ainda que momentânea, da comunhão eterna entre Pai e Filho. Jesus, em sua oração registrada em João 17, revela o desejo de restaurar essa intimidade, incluindo-nos nesse relacionamento de amor e glória. O propósito eterno de Deus é nos fazer participantes da alegria, da glória e do amor que existem entre o Pai e o Filho, distinguindo-nos do mundo e tornando Cristo a fonte de tudo em nossa vida.
O ponto de partida
Em meio a um tempo de dor e perdas, a lembrança do sacrifício de Jesus na cruz traz consolo e esperança. O Pai também sentiu a dor da separação ao entregar seu Filho, e Jesus, ao orar em João 17, expressa o anseio por restaurar a comunhão e nos incluir nessa relação eterna de amor e glória.
Desenvolvimento da Palavra
A Profundidade da Relação entre Pai e Filho
O momento da cruz não foi apenas de sofrimento físico, mas de uma separação profunda entre o Pai e o Filho, algo que trouxe dor ao coração de ambos. Jesus, ao orar em João 17, 5, pede ao Pai que o glorifique com a glória que compartilhavam antes da criação do mundo. Essa glória, interrompida na cruz, revela o valor incomparável da relação entre eles. Jesus antecipa a cruz já sentindo saudade dessa comunhão, e deseja que seus discípulos participem dessa intimidade.
O desejo de Jesus é que aqueles que o Pai lhe deu estejam com Ele, vejam sua glória e experimentem o amor eterno que existe entre o Pai e o Filho. O mundo não conhece esse amor, mas Jesus o revela aos seus, tornando-os distintos do mundo. O caminho do conhecimento de Deus é eterno, nunca terá fim, e cada passo revela novas dimensões da glória e do amor divinos.
O Caminho Eterno e a Experiência Antecipada
A oração de Jesus não é apenas uma promessa futura, mas uma realidade que pode ser experimentada hoje. Hebreus 12 contrasta o monte Sinai, lugar de temor e distância, com o monte Sião, onde os crentes têm acesso à presença de Deus, à comunhão com Jesus, o Mediador da nova aliança. A voz do Filho é a que move céus e terra, e não deve ser rejeitada. O convite é para entrar no Santo dos Santos, ouvir a voz do Senhor e responder com obediência e temor.
A experiência de estar com Jesus, contemplando sua glória e ouvindo sua comunhão com o Pai, é um privilégio que já pode ser desfrutado pela fé. Não é necessário esperar apenas pelo futuro; já é possível experimentar as virtudes do século futuro, caminhando em uma espiral ascendente de glória e conhecimento. O temor do pecado é fundamental, pois ele pode interromper essa comunhão, formando um véu que impede de ver e ouvir o Senhor. Por isso, o maior temor dos que andam com Deus é o pecado, que separa e cega.
O Propósito Eterno: Alegria, Glória e Distinção
O final da oração de Jesus revela quatro desejos profundos: que estejamos onde Ele está, que vejamos sua glória, que o amor do Pai esteja em nós e que Ele mesmo habite em nós. Cristo em nós é a esperança da glória, e o preço para nos introduzir nessa realidade foi pago por Ele na cruz. O futuro delineado em João 17 é confirmado em 1 João 3: seremos semelhantes a Ele, veremos sua glória e experimentaremos a plenitude do amor do Pai.
O Salmo 16 aponta para a abundância de alegria e delícias perpétuas na presença de Deus, enquanto o Salmo 43 exorta a buscar a luz e a verdade que conduzem ao altar do Deus que é a nossa grande alegria. Todas as fontes de alegria, louvor, ministério e vida fluem de Cristo. Não há outra fonte legítima para oferecer algo a Deus; tudo deve vir dEle, por Ele e para Ele. Até mesmo o louvor e a música na casa de Deus devem ter origem em Cristo, pois só assim são aceitos.
A distinção entre o povo de Deus e o mundo é clara: fomos chamados para viver, alegrar-nos e regozijar-nos em Cristo, por Ele, para Ele e com Ele, por toda a eternidade. As alegrias deste mundo são passageiras, mas a alegria em Cristo é eterna e completa. O propósito final é que todas as nossas fontes estejam nEle, e que Ele seja participante de todas as nossas alegrias e realizações.
Nossa resposta ao Senhor
O chamado é para conservar diariamente a comunhão com Deus, entrar no Santo dos Santos, ouvir e responder à voz do Senhor com obediência e temor, reconhecendo que tudo vem dEle, por Ele e para Ele. Que a oração de Jesus esteja gravada em nossos corações e que Cristo seja sempre a fonte e o centro de nossa vida e alegria.
Para guardar
- O maior temor deve ser o pecado, que interrompe a comunhão com Deus.
- Cristo deseja que estejamos com Ele, vejamos sua glória e experimentemos o amor do Pai.
- Todas as nossas fontes de alegria e vida estão em Cristo.