Essência
A unidade entre os irmãos é uma provisão de Cristo, conquistada por meio de sua morte na cruz. O caminho da vitória sobre o pecado e as acusações do inimigo passa pelo sangue do Cordeiro, pelo testemunho de Jesus e pela entrega total da própria vida. A ceia do Senhor é um lembrete semanal dessa jornada, que exige discernimento, maturidade e identificação com a morte de Cristo, para que a glória siga o sofrimento e a igreja seja formada à imagem do Filho de Deus.
O ponto de partida
A motivação central surge da necessidade de compreender o significado profundo da ceia do Senhor, especialmente à luz das palavras de Jesus e do ensino recebido diretamente pelo apóstolo Paulo. Paulo, que buscou a imagem de Cristo acima de tudo, considerou tudo como esterco para prosseguir ao alvo da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. A ceia é apresentada como um momento de recordação da meta, da pureza de consciência e da unidade entre irmãos.
Desenvolvimento da Palavra
O Caminho da Vitória: Sangue, Testemunho e Entrega
A vitória sobre o acusador é alcançada pelo sangue do Cordeiro, pela palavra do testemunho e por não amar a própria vida até a morte. O sangue de Jesus é o fundamento para vencer as acusações de Satanás, que continuam dia e noite, tanto diante de Deus quanto na consciência dos crentes. O cálice tomado semanalmente é um memorial desse poder, lembrando que só pelo sangue de Jesus se vence o acusador.
O testemunho de Jesus, não o testemunho pessoal falho, é o segundo elemento do caminho da vitória. A confissão da obra de Cristo — sua encarnação, crucificação, morte, sepultamento, ressurreição, ascensão e glorificação — é proclamada em cada reunião. O testemunho vivo de Jesus é infalível e irrepreensível, e é por meio dele que se vence.
O terceiro ponto, o mais comprometedor, é não amar a própria vida até a morte. A maturidade cristã se revela quando o crente considera o viver para si mesmo como o mais terrível dos pecados. A consciência sensível demonstra crescimento no Senhor. Paulo exemplifica essa maturidade ao afirmar que, se comer carne escandaliza o irmão, nunca mais comerá carne. O homem maduro não vive para si, mas para Cristo, e a verdadeira libertação é diferente da simples liberdade. Deus não teve dificuldade em tirar o povo do Egito, mas arrancar o homem de si mesmo é a obra mais difícil. O caminho da vitória começa com o sangue, passa pela palavra e culmina na evidência da cruz: não amar a própria vida.
A Cruz no Cotidiano e o Testemunho da Unidade
O casamento é apresentado como um laboratório da cruz de Cristo, onde a graça de Deus é indispensável para suportar as dificuldades e para cumprir o mandamento de amar e não se irritar contra a esposa. O fracasso no lar revela a necessidade de morrer para si mesmo, permitindo que Cristo viva. Os casados novos, cheios de expectativas, percebem com o tempo que precisam andar mais com Cristo para serem semelhantes a Ele.
Anunciar a morte do Senhor não é apenas uma proclamação verbal, mas uma experiência de identificação com sua morte. O discernimento do corpo de Cristo é fundamental: é preciso crer, receber e discernir a participação e inclusão na obra da cruz. O velho homem não pode dar testemunho do corpo de Cristo; somente o novo homem, cuja unidade é o verdadeiro testemunho. Não basta confessar unidade, é necessário vivê-la. O exemplo do marido divorciado que paga pensão mas não tem um testemunho verdadeiro de amor ilustra a diferença entre palavras e vida.
Sofrimento, Glória e Saramento do Pecado
A glória segue o sofrimento. O sofrimento por causa da justiça, não do pecado, é o caminho para a glória de Cristo. Jesus, impecável, sofreu pelos pecados dos outros, e cada um deve reconhecer que ele morreu por seus próprios pecados. O pecado é descrito como uma doença, mais viciante que qualquer droga, trazendo prazer e divisão. Moisés preferiu sofrer com o povo de Deus a desfrutar dos prazeres do pecado por um tempo. O sofrimento é um regulador do pecado, levando o crente a buscar o Senhor.
O pecado produz desgarramento e separação, como visto na divisão da família de Adão. O Espírito Santo trabalha para que o crente abomine o pecado, vivendo para Deus e deixando o embaraço que o rodeia. O pastor e bispo das almas, Jesus, levou os pecados sobre o madeiro para que, mortos para os pecados, se viva para a justiça. Pelas suas feridas, os crentes são sarados do pecado e voltam ao pastor das suas almas.
A ceia do Senhor é um ato de recordação do amor de Cristo, que morreu por todos. O encorajamento final é ensinar aos filhos a obra de Cristo, a redenção e o poder do sangue, para que sejam aperfeiçoados em toda boa obra, operando o que é agradável a Deus por Cristo Jesus.
Cristo revelado
Cristo é revelado como o Cordeiro que venceu o acusador pelo seu sangue, o testemunho vivo e infalível, e o pastor que levou os pecados sobre o madeiro para sarar e unir as ovelhas. Sua glória segue o sofrimento, e sua imagem é formada nos crentes pelo Espírito Santo, que opera a maturidade e a unidade.
Nossa resposta ao Senhor
A resposta ao Senhor é proclamar sua morte de forma experimental, identificando-se com sua cruz, discernindo o corpo de Cristo e vivendo a unidade com os irmãos. É necessário ensinar a obra de Cristo aos filhos, confiar na graça e buscar a maturidade, entregando a própria vida para que Cristo viva.
Para guardar
- O caminho da vitória começa pelo sangue do Cordeiro, passa pelo testemunho de Jesus e exige entrega total.
- O discernimento do corpo de Cristo se manifesta na unidade vivida, não apenas confessada.
- O sofrimento por causa da justiça precede a glória e é um regulador do pecado.