Essência
A vontade de Deus é o fundamento que dá sentido à vida cristã, tanto no cotidiano quanto na igreja. O Senhor chama cada um para um propósito específico, e conhecer esse chamado é essencial para avançar espiritualmente, manifestar dons e edificar o corpo de Cristo. A convicção de cumprir a vontade divina é exemplificada por servos como Abraão, Daniel e Moisés, enquanto o perigo do endurecimento é ilustrado por Nabucodonosor e faraó. O desafio é buscar, desejar e se entregar à vontade soberana de Deus, evitando a indiferença e o esquecimento dos feitos do Senhor.
O ponto de partida
O temor ao Senhor é o sentimento que precede a ministração da palavra. A reflexão inicial destaca a responsabilidade de falar corretamente sobre Deus, inspirada por uma frase de Tozer sobre o tremor diante do púlpito. A oração pede que os corações estejam sedentos como boa terra, para que a palavra produza frutos. O texto-base é Efésios 2, que revela a transformação do homem perdido para alguém vivificado em Cristo, chamado a andar na vontade de Deus.
Desenvolvimento da Palavra
A vontade de Deus: chamada, individualidade e expressão no corpo
A passagem de Efésios 2 mostra que outrora todos andavam segundo a vontade da carne, mas agora, pela graça, são chamados a viver segundo a vontade de Deus. Cada pessoa tem um chamado específico, seja individual, familiar ou ministerial. O Senhor tem um propósito para cada área: casamento, filhos, decisões materiais e espirituais. O chamado maior, porém, é descobrir o propósito de Deus para a vida na igreja do Deus vivo, que se manifesta principalmente fora das reuniões. A expressão da igreja é resultado do cotidiano de cada um, onde dons e ministérios são descobertos e exercidos, tornando as reuniões momentos de louvor e honra ao Senhor.
A experiência pessoal do ministro revela o peso de buscar a vontade de Deus, tanto para si quanto para o casal. Exemplifica-se com o ministério de hospitalidade, onde a vontade de Deus se manifesta de formas complementares para cada membro da família, mas converge para um propósito comum. A descoberta do chamado traz sentido, alegria e avanço espiritual, como ilustrado pelo encargo de oração, que gera frutos e edificação ao longo dos anos.
Exemplos de convicção: Abraão, Daniel, Jacó e Moisés
Abraão é apresentado como exemplo de obediência à vontade de Deus, partindo sem saber para onde ia, deixando sua segurança e família, confiando apenas na direção divina. O contraste com Ló, que seguiu pela parentela e foi provado, destaca a importância de ouvir e obedecer ao chamado específico do Senhor. Hebreus 11 reforça a fé de Abraão, que saiu sem saber o destino, mas com convicção de honrar o chamado.
Daniel e seus amigos demonstram uma vontade firmemente determinada em não se contaminar, assentando no coração o propósito de honrar a Deus, mesmo diante da maior autoridade terrena e ameaças de morte. A resposta de Sadraque, Mesaque e Abednego ao rei Nabucodonosor revela convicção e fé: não precisavam dar satisfação ao rei, pois conheciam o Deus que serviam. A fidelidade à vontade de Deus é mais forte que qualquer ameaça, fornalha ou cova de leões.
Jacó, ao receber o sonho e o temor diante da casa de Deus, faz um voto, mostrando o início de sua caminhada na vontade divina. Ainda que desconfiando, ele se dispõe a cumprir o propósito, condicionando sua obediência à presença e proteção de Deus. Moisés, por outro lado, é exemplo de alguém que reluta, teme e se sente incapaz diante do chamado. O Senhor, porém, insiste, provê Arão como auxílio, mas mantém Moisés como receptor da revelação. Moisés cresce em identidade espiritual à medida que se entrega à vontade de Deus, mesmo em meio a dúvidas e limitações.
O perigo do endurecimento: Nabucodonosor e faraó
Nabucodonosor, apesar de reconhecer o Deus de Daniel e seus amigos, rapidamente se esquece dos feitos do Senhor, erige uma estátua e desafia a autoridade divina. O ciclo de reconhecimento e esquecimento revela o risco de não andar na vontade de Deus, levando ao endurecimento do coração. A frase “a dureza no coração do homem o leva a se esquecer de Deus e seus poderosos feitos” resume o perigo enfrentado pelo rei, que passa de grandeza a humilhação, tornando-se como um animal até se quebrantar.
Faraó é o exemplo mais explícito de endurecimento, resistindo repetidamente às maravilhas e sinais de Deus, recusando-se a deixar o povo ir. O Senhor endurece seu coração, mas o faraó também se rende ao próprio orgulho, ignorando tragédias e pragas. A falta de temor e conhecimento do propósito divino resulta em juízo e condenação. O problema não é apenas não buscar, mas nem desejar conhecer a vontade de Deus, permanecendo indiferente e vagaroso diante do chamado.
Para guardar
- Conhecer e se entregar à vontade de Deus traz sentido e avanço espiritual.
- Exemplos bíblicos mostram a importância da convicção e obediência ao chamado.
- O endurecimento do coração diante da vontade de Deus resulta em juízo e perda.