Essência

Cristo é tudo para o cristão: vida, alimento, respiração e esperança da glória. A vontade de Deus, revelada em Cristo, é o centro da existência do crente. Viver fora dessa vontade é viver como morto, mas experimentar a vontade de Deus é experimentar vida, ressurreição e comunhão verdadeira. O chamado é para abandonar a fé mista, restaurar o altar e buscar a cidade futura, vivendo plenamente a vontade do Pai.

O ponto de partida

A reflexão nasce da certeza de que Cristo é a fonte de toda bênção espiritual e da busca pela característica essencial de Jesus: fazer a vontade do Pai. A partir da leitura de , a mensagem se volta para o propósito da conversão: cessar o pecado e viver segundo a vontade de Deus.

Desenvolvimento da Palavra

Cristo, a vontade do Pai e o chamado à vida

A essência da vida cristã está em fazer a vontade de Deus, assim como Cristo fez. Ele não veio para satisfazer seus próprios desejos, mas para cumprir o propósito do Pai, trazendo vida abundante. O cristão, ao ser liberto do pecado, é chamado a viver não mais segundo as concupiscências humanas, mas segundo a vontade de Deus. O tempo na carne é limitado, e cada um é desafiado a considerar quanto de sua vida foi vivida dentro ou fora desse propósito.

Jesus ensina que sua comida é fazer a vontade daquele que o enviou. O alimento do cristão deve ser o mesmo: realizar a obra de Deus. A história do professor de escola dominical, frustrado por não ter seguido o chamado original de Deus, ilustra o perigo de viver fora da vontade primordial do Senhor. Buscar o Reino de Deus não é buscar as bênçãos, mas submeter-se totalmente à sua vontade, sem medo ou reservas.

A maturidade cristã se revela quando se deixa de buscar justificativas ou alternativas oferecidas pelo mundo, e se experimenta a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. O exemplo de Jesus no Getsêmani, ao submeter sua vontade à do Pai mesmo diante da cruz, é o modelo supremo de confiança e obediência.

Salvação, altar e ressurreição: a experiência da vontade de Deus

A salvação é a manifestação da vontade de Deus em Cristo, o único caminho para a vida eterna. Não é religião, rito ou tradição que salva, mas crer no Filho revelado. Quem vê o Filho e crê nele tem a vida eterna, e essa experiência é marcada pela iluminação do coração e pela glória de Deus resplandecendo na face de Jesus Cristo.

A história de Abraão mostra que Deus busca e encontra o homem perdido, conduzindo-o à experiência do altar. O Egito, símbolo do mundo, é lugar de morte; o Êxodo é a ressurreição do povo de Deus, chamado a ser um reino de sacerdotes. A travessia do Mar Vermelho e do Jordão representam a morte para o mundo e para o ego, e a entrada na terra prometida é a posse da nova vida em Deus.

A vida cristã é vivida no altar, em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Fora do altar, não há utilidade para Deus. Abraão, ao sair de Betel e ir ao Egito, experimenta as consequências de uma fé mista, mas ao retornar, encontra restauração e edificação. A verdadeira comunhão com Cristo inclui o vitupério, a disposição de sofrer com Ele fora do arraial, e é nessa posição que a visão espiritual se amplia para contemplar a cidade futura.

Altares, edificação e a visão da cidade permanente

Os altares de Abraão revelam etapas da vontade de Deus: Siquém (força e ombro), Betel (casa de Deus), e o altar do sacrifício de Isaque (consagração plena e comunhão com o vitupério de Cristo). Em Betel, o crente perde o individualismo e é edificado juntamente com os santos, dando as costas ao passado de ruína e olhando para a edificação da casa de Deus.

A edificação é coletiva, ajustada sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, tendo Cristo como pedra principal. O altar fora do arraial aponta para a comunhão com o sofrimento de Cristo, e é ali que se tem a visão da cidade permanente. Não há cidade duradoura aqui, mas buscamos a futura, e isso produz verdadeiro louvor e expectativa pela vinda do Senhor.

A experiência de Abraão ao entregar Isaque mostra o caminho da renúncia e da visão ampliada. Só quem passa pelo altar do vitupério pode ver o Cordeiro de Deus e a possessão eterna. A fé genuína é justificada pela ressurreição, e a vida cristã é chamada a ser uma expressão dessa nova vida, não mais misturada com a carne, mas totalmente dependente de Deus.

Nossa resposta ao Senhor

O chamado é para restaurar o altar, abandonar a fé mista e retornar ao centro da vontade de Deus. É tempo de se colocar diante do Senhor, renunciar o que for necessário e buscar prazer em fazer sua vontade, mesmo que isso custe muito. A oração final clama por restauração, edificação e força para permanecer na vontade de Deus, aguardando com alegria a cidade futura e a vinda do Senhor.

Para guardar

  • A vontade de Deus é o centro e o alimento da vida cristã.
  • Fora do altar, não há vida nem edificação verdadeira.
  • A visão da cidade futura só é dada a quem se consagra plenamente ao Senhor.