Há uma espécie de seqüência lógica neste sermão. Não apenas isto; certamente há ordem e seqüência espirituais. Nosso Senhor não diz estas coisas acidentalmente; a coisa toda é deliberada. São lançados certos postulados e, com base neles, certas outras coisas se seguem. Assim, eu nunca discuto com ninguém qualquer injunção específica do sermão enquanto não tenha a satisfação de ter claro em minha mente que a pessoa é crente. Não está certo pedir a quem ainda não é crente que viva ou pratique o Sermão da Montanha. Esperar conduta cristã de alguém que não nasceu de novo é heresia. Os apelos do Evangelho em termos de conduta, ética e moralidade sempre se baseiam na suposição de que as pessoas às quais vão dirigidas as injunções são crentes.
Pois bem, isso é óbvio em qualquer das Epístolas, e igualmente é óbvio aqui. Escolha uma Epístola qualquer, a seu gosto. Verá que em qualquer delas a divisão é sempre a mesma: sempre a doutrina primeiro e, depois, as deduções tiradas da doutrina. São firmados os grandes princípios e se faz uma descrição dos cristãos a quem a carta é escrita. Depois, por causa daquilo, ou porque crêem naquilo, “portanto”, eles são exortados a fazer certas coisas. Temos sempre a tendência de esquecer que cada uma das cartas do Novo Testamento foi escrita a cristãos, e não a não-cristãos; e os apelos éticos em cada Epístola são sempre e somente dirigidos a crentes, aos novos homens e às novas mulheres em Cristo Jesus. A este Sermão da Montanha aplica-se o mesmíssimo princípio.