Aí estava um homem dotado de grandes poderes; e evidentemente, na qualidade de homem normal, tinha plena consciência deles. Entretanto, lendo as suas Epístolas, você verá que a luta que ele teve que travar até o fim da sua vida foi a luta contra o orgulho.
Por isso é que ele continuou usando a palavra «jactância». Qualquer pessoa revestida de poderes geralmente é ciente deles; sabe que pode realizar coisas. Paulo o sabia. Naquele magnífico capítulo três da Epístola aos Filipenses, ele comenta a sua confiança na carne. Se é questão de competição, parece dizer, ele não teme nenhuma; depois ele nos dá uma lista das coisas das quais podia jactar-se. Mas, tendo visto o Senhor ressurreto na estrada de Damasco, tudo aquilo se tornou «perda», e este homem, possuidor de tão tremendos poderes, apareceu em Corinto… «em fraqueza, temor e grande tremor». Esta é a posição que adota a cada passo e, quando ele vai prosseguir na obra de evangelização, indaga: «Quem é suficiente para estas coisas?» Se houve alguém com direito de achar-se «suficiente» foi Paulo. Contudo, sentia-se insuficiente porque era «pobre de espírito».
Naturalmente, porém, percebemos esta verdade de forma mais clara quando consideramos a vida de nosso Senhor. Ele Se fez homem, levou sobre Si «a semelhança da carne pecaminosa». Embora fosse igual a Deus, não Se agarrou às prerrogativas da Sua divindade. Resolveu que enquanto estivesse na terra viveria como homem, embora continuasse sendo Deus. E o resultado foi este: Disse Ele: «Eu nada posso fazer de mim mesmo». É o Deus-homem falando. «Eu nada posso fazer de mim mesmo». Disse também: «As palavras que eu vos digo não as digo por mim mesmo: mas o Pai que permanece em mim, faz as Suas obras» (João 14.10). Como que diz: «Eu nada posso fazer, dependo completamente dele». É isso. E observe Sua vida de oração. É quando você O considera em Sua vida de oração, reconhecendo quantas horas passava em oração, que você enxerga Sua pobreza de espírito e a Sua confiança em Deus.
Extraído do devocional “Mensagem para hoje – Leituras diárias selecionadas das obras de D. M. Lloyd-Jones” – sob autorização da Editora PES
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