É somente à luz da maneira como Deus odeia e aborrece o pecado que podemos realmente ver o Seu amor e dar o devido valor à maravilha e à glória do Evangelho. A medida de Sua ira contra o pecado é a medida do amor que está pronto a perdoar o pecador e amá-lo, a despeito do pecado. Apesar de toda a conversa e de tudo que se escreveu a respeito do amor de Deus no século passado, tem havido muito menos evidência de genuína apreciação do amor de Deus e menos disposição para plena submissão a esse amor. A idéia do amor tem sido tão sentimentalizada que se tornou pouco mais ou pouco melhor do que uma vaga benevolência geral. O amor de Deus é santo. Se expressa não como indulto ou transigência para com o pecado; não se esquiva deste e, contudo, trata o pecado de tal modo que o pecador não é destruído juntamente com o seu pecado, mas é liberto dele e de suas consequências…
Não há, porém, nenhuma base válida para a objeção a este ensino concernente à “ira de Deus”. Pois o caminho pelo qual se lhe pode escapar está amplamente aberto. Ninguém tem necessidade de permanecer sob a ira de Deus. E seguramente este fato liquida a questão. Se não houvesse via de escape a posição seria muito diferente. Mas o que pode suceder a alguém que deliberadamente se nega a aceitar a oferta de salvação, senão sofrer as consequências dessa recusa? E essa é a explicação do tom de urgência que marca a pregação de Paulo, dos demais apóstolos, e de todos os grandes pregadores, desde aquele tempo e sempre. Aí está porque o Evangelho é boa notícia. A ira de Deus já tinha sido revelada. Mas agora o meio de escapar a essa ira é igualmente revelada no Evangelho de Cristo.
Extraído do devocional “Mensagem para hoje – Leituras diárias selecionadas das obras de D. M. Lloyd-Jones” – sob autorização da Editora PES
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