Grande parte da argumentação feita contra a crença na doutrina da ira de Deus tem sido apresentada de maneira mais ou menos utilitária. Dizem-nos que o antigo tipo de pregação afastaria o povo de nossas igrejas; ao passo que se salientássemos com ênfase o amor de Deus, esta pregação atrairia as pessoas. A simples resposta a isso é que os fatos mostram justamente o contrário. Quando a idéia do juízo e da ira de Deus foi relegada a segundo plano é que nossas igrejas foram ficando cada vez mais vazias. Tem alcançado certa aceitação a idéia de que, de algum modo, o amor de Deus encobre tudo, e que o que fazemos tem bem pouca importância, porque o amor de Deus ajustará tudo no final. Quanto mais a igreja acomodou a sua mensagem ao gosto do povo, maior foi o declínio da freqüência aos lugares de culto.
Mas ainda mais sério e ominoso é o fato de que ao mesmo tempo declinou também a crença em Deus. Conforme os homens deixam de crer em Deus como o Senhor de toda a terra, e como o Juiz Eterno diante de quem todos teremos de comparecer para prestar contas de nós, e conforme se vai dando mais e mais a impressão de que Deus não passa de um bondoso ser que sorri para todos indiscriminadamente, os homens deixam de crer nEle e de relacionar suas vidas com Ele.
É pura inverdade dizer que se somente salientarmos constantemente o amor de Deus, os homens crerão nEle, ao passo que se pregarmos Sua ira e justiça e retidão, eles se oporão a Ele. Só quando os homens sabem algo do sentido do “temor do Senhor” é que continuam a crer em Deus.
Extraído do devocional “Mensagem para hoje – Leituras diárias selecionadas das obras de D. M. Lloyd-Jones” – sob autorização da Editora PES
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