Tenho ouvido muitas vezes a cristãos que estão perplexos por algum motivo e, assim que começam a expor suas inquietações, vejo que o problema se deve totalmente ao fato de que retornaram ao nível racional (ou seja, humano) de raciocínio. Por exemplo, quando lhe acontece algo que você não entende, no instante em que você começa a sentir ressentimento contra Deus, pode estar certo de que já voltou ao plano do que é racional. Quando você se queixa de que o que lhe está sucedendo não lhe parece coisa boa, você está querendo que Deus se rebaixe ao seu nível humano de compreensão… Mas, na vida cristã tudo precisa ser observado do ponto-de-vista espiritual. Na vida cristã tudo é espiritual. Daí, tudo que há em nossa vida deve ser considerado espiritualmente – cada fase, cada estágio, cada interesse, cada desenvolvimento… Devemos exercer de modo espiritual o pensamento e deixar para trás o outro modo de pensar… Este foi o problema deste homem (Salmo 73). Por que Deus permite essas coisas? Indaga ele. Por que os ímpios podem prosperar?… Esse era o problema: tentar compreender os caminhos de Deus… Há uma única resposta para isso. Acha-se em Isaías 55.8: “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor”… A primeira coisa que tendes que compreender, diz-nos Deus, é que quando vindes a considerar-me a Mim e aos Meus caminhos, não deveis fazê-lo naquele nível inferior a que estais acostumados… Não nos fazemos culpados disso a cada passo? Persistimos em pensar como homens e mulheres naturais, nesses pontos. Reconhecemos que a questão da salvação requer pensamento espiritual, mas, nas coisas que nos sucedem, nosso pensamento se inclina a tornar-se de novo racional, razão por que não devemos ficar surpreendidos se não compreendermos os caminhos de Deus, porquanto são inteiramente diversos dos nossos. A diferença que há entre os dois pontos-de-vista é semelhante à diferença que há entre o Céu e a terra.
Extraído do devocional “Mensagem para hoje – Leituras diárias selecionadas das obras de D. M. Lloyd-Jones” – sob autorização da Editora PES
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