Paulo fez lembrar a seus contemporâneos que Moisés, ao dar a lei aos judeus, dissera: “o homem que praticar a justiça decorrente da lei, viverá por ela” (Romanos 10.5). Isto poderia ser traduzido assim: “Qualquer pessoa que puder cumpri-la, viverá por ela”. Deus… Dissera com efeito: “Se guardardes tudo isso, tereis obedecido aos meus mandamentos. É isso que eu exijo. Essa é a única maneira de agradar-me”. Do que consiste essa maneira? Examinemos a questão. Consideremo-la profundamente… Consideremos o que nós teríamos de fazer. Pode o homem fazer expiação por seus pecados passados e pelos males que praticou? Pode ele apagar as suas próprias transgressões? Pode ele aguçar a sua consciência e limpar a sua memória? Mais do que isso, pode ele viver no presente de modo que se sinta verdadeiramente satisfeito? Pode ele resistir às tentações?… Pode ele controlar os seus pensamentos, os seus desejos, as suas inclinações e imaginações, bem como cada uma de suas ações?… Mediante os seus mais intensos esforços pode ele ter êxito em viver à altura do padrão de vida a que se propôs? Pense, então, no padrão de Deus. Leia a lei dada aos filhos de Israel, os Dez Mandamentos e a lei moral que Paulo, com todo o seu zelo, não pôde cumprir, ao perceber o seu verdadeiro significado. Leia depois o Sermão da Montanha e as várias asseverações de nosso Senhor acerca da santidade de Deus. Depois pondere sobre a perfeita Vida de Jesus. É isso o que temos de fazer… Haverá algum homem que o possa fazer? Podem todas as boas intenções, toda a sinceridade e todo o zelo de que alguém é capaz, suprir poder suficiente para escalar alturas tais? Esse é o monte que temos de subir – o monte da santidade de Deus… Haverá alguém capaz de produzir santidade assim? Haverá poder, na minúscula máquina de nossa vida, suficiente para guindar-nos a tão vertiginosas alturas? Indaguemos de Paulo. Perguntemos de Agostinho, de Lutero, de João Wesley. Perguntemos a todas as mais nobres almas que o mundo já viu… Responderão a uma voz: “O labor de minhas mãos não pode cumprir Tua lei…” Tendo eles fracassado, nós o obteríamos? O que há em nós não basta.
Extraído do devocional “Mensagem para hoje – Leituras diárias selecionadas das obras de D. M. Lloyd-Jones” – sob autorização da Editora PES
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