Diz-nos (o salmista, no Salmo 73.15) que ele ainda não via com clareza nem podia compreender a dificuldade que o sacudira e tentara tão duramente… Portanto, ele parou de procurar resolvê-la, dizendo-se a si mesmo: “Bem, é melhor dar tempo ao tempo, quanto a este grave problema. Nada direi sobre ele porque posso perceber que se eu exprimir meus pensamentos, serei levado a ofender a geração do povo de Deus. Não posso fazer isso. Muito bem; tomarei posição sobre aquilo de que tenho certeza, e me darei por satisfeito em não entender o demais, por ora”.
Que método simples é o dele, e, contudo, quão vital cada um dos seus passos… nosso falar deve ser sempre essencialmente positivo. Quero dizer com isso que jamais devemos estar demasiado prontos para expressar nossas dúvidas e para proclamar nossas incertezas… Lembro-me de um rapaz que me procurou há anos. Era um estudante que fora para a faculdade com a vida fundada na fé cristã e crendo no Evangelho. Um professor daquela escola, orgulhoso de sua incredulidade, nada tendo de positivo para dar aquele jovem, pôs-se a ridicularizá-lo e à sua posição, não só em suas preleções, mas também em particular, zombando de todas as suas crenças e escarnecendo de sua fé. Acabou lançando o moço a uma condição deveras aflitiva e infeliz. Não existem muitas coisas piores do que a atitude de um professor desses que, não tendo nada por que viver, empenha-se em tirar e destruir a fé do coração de um jovem, falando contra essa fé e procurando miná-la. É claro que aquele foi um ataque malicioso e intencional… Mas nós, igualmente, podemos ser culpados da mesma coisa, embora talvez não nos apercebamos disso. Ainda quando formos assaltados por dúvidas e incertezas, não devemos proclamar as nossas dúvidas e nem divulgar as nossas incertezas… Se não podemos dizer algo que ajude, devemos ficar calados. Foi isso que fez o salmista.
Extraído do devocional “Mensagem para hoje – Leituras diárias selecionadas das obras de D. M. Lloyd-Jones” – sob autorização da Editora PES
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