Este homem (Salmo 73) estivera considerando como favas contadas as bênçãos e alegrias. Parece que todos pressupomos que temos direito a essas coisas, e que as devemos ter sempre. Daí, no instante em que nos são negadas começamos a levantar questões e a demonstrar dúvidas. Ora, o salmista devia ter dito a si mesmo: «Sou homem de vida piedosa, creio em Deus. Levo uma vida religiosa, e conheço certas coisas sobre o caráter de Deus… Agora me estão sobrevindo algumas coisas dolorosas… Mas, decerto há algum bom motivo para isso». Depois ele devia começar a buscar razões e a procurar uma explicação. Tivesse feito isso, sem dúvida teria concluído que Deus tinha algum propósito naquilo tudo… Teria chegado à conclusão de que, ainda que não o pudesse compreender, Deus tinha que ter uma razão, porque Deus nunca faz coisa alguma que seja irracional. Teria dito: «Estou certo disto e, portanto, qualquer que seja a explicação, não é o que pensei de início». Ele teria refletido bem nisso.
Mas como demoramos a chegar a esta atitude! O que parece é que achamos que, como cristãos não devemos ter nunca qualquer problema. Nada deveria sair-nos errado, e o sol deveria estar sempre brilhando ao nosso redor, enquanto que todos os que não são cristãos, por outro lado, deveriam experimentar constantes aflições e dificuldades. Mas a Bíblia nunca nos prometeu isso. Pelo contrário, prometeu-nos «que, através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus» (Atos 14.22). Também diz: «Porque vos foi concedida a graça de padecerdes por Cristo, e não somente de crerdes nele» (Filipenses 1.29). Desta forma, na hora em que começamos a pensar, vemos que a idéia que nos viera instintivamente é inteiramente falsa face ao ensino da Bíblia.
Extraído do devocional “Mensagem para hoje – Leituras diárias selecionadas das obras de D. M. Lloyd-Jones” – sob autorização da Editora PES
Comments are closed.